Governo grego é alvo de pressão política após 7 dias de confronto

Adriana Flores Bórquez. Atenas, 12 mar (EFE).- O Governo da Grécia permanece submetido a uma grande pressão política depois do sétimo dia consecutivo de violentos distúrbios em Atenas, motivados por novos protestos estudantis.

EFE |

Milhares de jovens protestaram hoje nas ruas, enquanto as instituições de ensino médio e as universidades continuam fechadas desde segunda-feira em protesto pela morte de Alexis Grigoropulos, de 15 anos, atingido no sábado por um disparo policial, que não teve prisão preventiva decretada.

Grupos de radicais que participaram das manifestações lançaram pedras e bombas incendiárias contra as forças de segurança, que responderam lançando gás lacrimogêneo nos manifestantes.

As chamas provocadas por um coquetel molotov atingiram o uniforme de um policial, que não sofreu graves ferimentos graças à rápida ajuda de seus companheiros, enquanto um veículo dos bombeiros ficou totalmente destruído pelas ações violentas.

Assim como nos últimos dias, vitrines, carros, bancos e outros bens públicos foram destruídos pela ira dos radicais.

Além disso, centenas de adolescentes bloquearam as principais avenidas do centro da capital grega, sentando-se sobre o asfalto e detendo o trânsito, o que se traduziu em um enorme colapso circulatório.

Outro momento de grande tensão ocorreu quando pedestres, jornalistas e professores que se encontravam no local da concentração impediram que a Polícia detivesse os menores que lançavam pedras e garrafas com água contra os agentes.

Desde o início dos distúrbios, a Polícia deteve 258 pessoas - 202 gregos e 56 estrangeiros -, segundo dados oficiais facilitados à Agência Efe.

Entre os detidos, 131 foram acusados de roubo e saque a lojas, e outros 45 de agressões contra a Polícia e de provocar danos a bens públicos e privados.

Dos acusados, 24 estão presos à espera de julgamento e outros 32 estão em liberdade à espera da citação da Justiça.

Por outro lado, as primeiras testemunhas da morte que desencadeou os distúrbios compareceram hoje perante um promotor para dar suas versões, a pedido da família da vítima.

Segundo a rádio "Alpha", Nikos, um amigo do jovem morto, declarou que o policial "levantou a arma e disparou diretamente contra Alexis".

Os peritos aguardam pela perícia que poderia esclarecer se o policial teve a intenção de matar o jovem ou se ele morreu, como sustenta o agente, vítima de uma bala ricocheteada de um tiro disparado para o alto.

O primeiro-ministro grego, o democrata-cristão Costas Caramanlis, ressaltou nesta sexta-feira da cúpula da União Européia (UE) em Bruxelas que "a Grécia tem um Governo firme" e que "não é hora de se ocupar com os cenários de eleições legislativas antecipadas" em momentos de uma "grande crise econômica mundial".

Ele reiterou que "é preciso fazer uma clara distinção entre os cidadãos que têm o direito de se expressar livremente e de protestar contra a morte do jovem e entre os extremistas que realizam violentos ataques" e chamou os políticos do país a "isolar esses elementos" causadores dos distúrbios.

O vice-ministro do Interior, Panagiotis Hinofotis, pediu perdão hoje no Parlamento pela trágica morte de Grigoropulos e anunciou que os policiais que levam armas serão examinados anualmente por uma comissão de psicólogos. EFE afb/ab/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG