Paris, 23 set (EFE).- O ministro francês de Imigração, Eric Besson, justificou hoje o desmantelamento na terça-feira do acampamento de imigrantes ilegais em Calais (noroeste do país) e disse que fez-se para romper o campo base dos traficantes, que obrigavam a pagar 15 mil euros aos imigrantes ilegais que viviam ali.

"O objetivo não era deter a dezenas de imigrantes, mas romper a ferramenta de trabalho dos traficantes", "romper seu campo base", destacou em entrevista à emissora de rádio "France Info" Besson ao comentar a operação policial na qual ontem foram detidos 276 imigrantes, em sua maioria afegãos, que tentariam de passar clandestinamente ao Reino Unido desde o porto de Calais.

Afirmou que os imigrantes ilegais, que habitavam em tendas de campanha e barracos, tinham pago aos traficantes 15 mil euros para chegar até ali desde a Grécia, e depois tinham que acrescentar entre 500 e mil euros suplementares para atravessar o canal da Mancha.

O ministro - um antigo dirigente socialista agora no Governo do conservador Nicolas Sarkozy - afirmou que "era inaceitável" que se permitisse que os imigrantes ilegais estivessem instalados a umas dezenas de metros do porto quando se sabia que tentavam burlar os controles policiais e passar ao Reino Unido.

Sobre a sorte dos detidos, confirmou que quatro foram hospitalizados por ter sarna e que mais de 130 menores foram levados a centros especializados.

Aos que criticaram os métodos e o tratamento dado aos imigrantes, assinalou que se dezenas de crianças tinham ficado ali apesar de se saber que haveria uma operação policial é porque "França se distingue" na Europa porque não expulsa os menores.

"França é o país europeu mais generoso em matéria de asilo" e inclusive está "pela frente dos Estados Unidos e do Canadá", acrescentou.

A secretária nacional do Partido Socialista, Martine Aubry, qualificou o desmantelamento do acampamento como "um golpe midiático" de Besson que queria assim "recuperar o favor dos deputados de direitas".

Aubry, também em declarações a "France Info", assinalou que com a destruição do que se conhecia como "a selva" "se joga abaixo o único lugar onde havia um pouco de humanidade" com os clandestinos de Calais, que agora se vão a dispersar por toda a região.

"É indigno da França, é desumano", disse a máxima responsável dos socialistas franceses. EFE ac/fk

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.