Governo francês é criticado por compra em excesso de vacinas para gripe H1N1

O governo francês está enfrentando uma onda de críticas externas e internas pela compra excessiva de vacinas contra a gripe H1N1, o que motivou, inclusive, uma demanda de investigação parlamentar.

AFP |

Até o deputado Bernard Debré, da União por um Movimento Popular (UMP), o partido do presidente Nicolas Sarkozy, denunciou que a França comprou 10% das vacinas de todo mundo e que falta prudência na política de governo contra a pandemia.

"Temos um terço do Tamiflu mundial", declarou Debré.

O Partido Socialista (PS, oposição) e o Novo Centro (NC, aliado do partido no poder) pediram nesta segunda-feira a abertura de uma CPI para fazer o balanço desta campanha, um dia depois da revelação de que a França já começou a vender seu excedente de vacinas para o exterior.

A França encomendou há seis meses 94 milhões de doses de vacinas por um total de 869 milhões de euros, segundo o ministério da Saúde, que contou uma dupla injeção por pessoa. Entretanto, somente cinco milhões de pessoas foram vacinadas no país, onde a campanha de vacinação suscitou pouco entusiasmo e teve de lidar com problemas logísticos.

Para o porta-voz do PS, Benoît Hamon, "os laboratórios farmacêuticos são os grandes beneficiários" desta gestão desastrosa.

O governo também foi criticado por seus próprios aliados. "A França fracassou neste caso, apesar dos fortes investimentos", avaliou o presidente executivo do NC, Jean-Christophe Lagarde.

"O custo é superior ao déficit de todos os hospitais franceses. Um pouco mais de prudência teria sido necessária", insistiu Debré.

"O que as pessoas teriam falado se a epidemia tivesse sido grave?", perguntou, em resposta, o chanceler francês, Bernard Kouchner, lembrando que "o inverno ainda não acabou".

bur/yw

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