Governo francês critica informações macabras sobre baixas no Afeganistão

O ministro francês da Defesa, Hervé Morin, criticou nesta sexta-feira a divulgação por parte da revista Paris Match de uma série de fotografias dos talibãs que mataram dez soldados no Afeganistão, afirmando que isso prejudicava a unidade do país.

AFP |

Morin denunciou os "rumores permanentes" e questionou "quem faz correr esses rumores, que são infundados".

Antes, a revista Le Canard Enchainé afirmou, citando fontes ligadas à investigação do incidente, que os soldados foram degolados, uma informação macabra confirmada pelo jornal Le Monde e que provocou uma grande comoção entre os familiares das vítimas.

Na reportagem da Paris Match, os talibãs ameaçam matar "todos" os soldados franceses caso permaneçam no Afeganistão e são publicadas fotos nas quais os extremistas exibem armas capturadas dos soldados mortos, enquanto um deles veste um uniforme francês quase completo.

"Estes homens morreram por culpa de Bush e do seu presidente. Não queríamos matar seus maridos ou filhos. Não é contra os franceses. Vão embora, tudo ficará bem", afirma o chefe da unidade talibã entrevistado pela Paris Match.

No entanto, o 'comandante Faruki', como é identificado o líder talibã, ameaça: "Enquanto ficarem em nosso país, os mataremos. A todos".

"É algo abjeto. Dói muito ver estes assassinos (...) usando os uniformes dos jovens que mataram", declarou à AFP Joël Le Pahun, que teve o filho, Julien, assassinado.

Já a fotógrafa Veronique De Viguerie se defendeu perante as famílias. "Não queria em absoluto parecer sem coração, mas penso que apenas fiz meu trabalho".

Ao comentar a reportagem, o ministro francês da Defesa, Hervé Morin, disse que isto "se trata de uma guerra de comunicação feita pelos talibãs por meio deste tipo de operações".

O ataque de 18 de agosto matou 10 soldados franceses e feriu outros 21. As condições em que aconteceu a emboscada talibã têm sido objeto de várias perguntas e reativaram o debate sobre a presença de 3.000 soldados franceses no Afeganistão.

bur/cn

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