Governo finaliza folha de acusações para cassar mandato de Musharraf

Islamabad - O Governo do Paquistão anunciou neste domingo que já finalizou a folha de acusações contra o presidente Pervez Musharraf, texto que a coalizão governista deve apresentar no Parlamento esta semana para iniciar o processo de impeachment do chefe de Estado.

EFE |

Em entrevista coletiva, a ministra de Informação paquistanesa, Sherry Rehman, explicou que os membros encarregados de elaborar o documento completaram hoje os detalhes da folha em sua residência em Islamabad.

Em declarações divulgadas pela agência oficial "APP", Rehman destacou que o texto será apresentado entre amanhã e terça-feira aos líderes da coalizão governista para que estes dêem sua aprovação.

Após uma reunião de membros do Partido Popular do Paquistão (PPP) e da Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N) - as duas principais legendas do Governo -, Rehman disse que Musharraf tem a possibilidade de renunciar antes de a metade dos deputados da Assembléia Nacional apresentar a folha e iniciar o processo de cassação. A ministra acrescentou que isso acontecerá ainda esta semana.

Rehman não deu detalhes sobre as acusações que serão apresentadas contra Musharraf.

Vários membros do Governo têm afirmado nos últimos dias que as acusações se centrarão nas violações da Constituição por parte do presidente e na sua má gestão da economia.

Sobre a possibilidade de Musharraf renunciar para evitar o processo de impeachment, Rehman destacou que o PPP "nunca sucumbe a políticas de vingança porque quer um Paquistão estável e uma democracia sustentável no país, segundo o mandato dado pelo povo em 18 de fevereiro", quando foram realizadas as eleições legislativas.

"No entanto, a decisão de dar uma saída segura ao presidente depende da liderança da coalizão", esclareceu a ministra.

Participaram do encontro para finalizar a folha de acusações o ministro da Justiça paquistanês, Farooq Naek, o porta-voz do PPP, Farhatullah Babar, e vários líderes da PML-N, entre eles o ministro da Educação, Ahsan Iqbal.

As quatro Assembléias Regionais do Paquistão já aprovaram uma resolução que exige que Musharraf se submeta ao voto de confiança ou enfrente o processo de impeachment.

O Governo deve apresentar agora a folha de acusações no Parlamento, após a qual será convocada uma sessão conjunta entre a Assembléia Nacional e o Senado, no máximo em duas semanas, para investigar, debater e votar a cassação.

Para que Musharraf tenha o mandato cassado, são necessários dois terços dos votos dos parlamentares na sessão conjunta.

A situação tem se complicado para o presidente paquistanês, já que mesmo alguns membros de seu partido, a Liga Muçulmana do Paquistão-Quaid (PML-Q), votaram contra ele nas resoluções apresentadas nas Assembléias Regionais. 

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