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Governo filipino promove cursos de super-empregada doméstica

Eric San Juan Manila, 27 jan (EFE).- O Governo das Filipinas promove há alguns anos cursos de super-empregadas domésticas, formando centenas de mulheres que realizam o sonho de trabalhar no exterior e de lá remeterão divisas ao país para manter a família.

EFE |

A cada dois meses, 30 novas alunas iniciam esta aventura na qual aprendem como ser a empregada doméstica ideal para trabalhar em nações como o Canadá, Estados Unidos, Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos ou Espanha.

Cerca de 10 milhões de emigrantes filipinos enviaram em remessas ao país de origem US$ 16,4 bilhões em 2008, um volume só superado pela Índia (US$ 45 bilhões), China (US$ 34 bilhões) e México (26 bilhões), segundo dados do Banco Mundial.

"Eu gostaria de ir primeiro a um país asiático como Cingapura antes de viajar aos EUA ou à Europa", diz Mai, de 27 anos, uma das alunas do programa que o Governo oferece de forma gratuita em Manila há quatro anos.

Os estudantes se distribuem as tarefas em uma "sala de aula" onde não faltam uma simulação de salão, três camas bagunçadas para arrumar, delicados objetos para tirar a poeira e um tapete para limpar com o aspirador, aparelho desconhecido na maioria dos lares filipinos.

Na classe contígua, que é a réplica de uma cozinha, as estudantes aprendem as artes culinárias básicas de distintas culturas e apagam qualquer rastro de gordura e resto de comida dos fornos e fornalhas.

Embora sejam de origem humilde, a professora Rachel de la Torre esclarece que todas terminaram o ensino médio e falam inglês fluente.

"A maioria delas são solteiras, mas em todas as edições do curso temos várias mulheres casadas e com filhos que decidem se inscrever com o objetivo de buscar trabalho no exterior e enviar dinheiro à família", detalha a professora.

De la Torre explica que quase todas as aprendizes são avaliadas na matéria porque realizam as tarefas domésticas diariamente em suas próprias casas, mas o curso concede um certificado que abre portas no exterior.

"Eu gostaria de ir a outro país. Pode ser que em março eu vá trabalhar em Taiwan. Me inscrevi no curso porque ele confere um certificado", diz Ruby, de 34 anos.

Sua colega Mai concorda que o módulo formativo não apresenta grandes dificuldades, embora haja alguns empecilhos: "A parte mais dura para mim é que é preciso seguir alguns procedimentos no tratamento com o patrão".

O programa não se limita à parte prática, mas inclui uma formação sobre primeiros socorros, trabalho em equipe e sobre todo tratamento profissional com os chefes e prevenção contra possíveis assédios.

"Antes eram conhecidos casos de abusos por parte de alguns patrões e outros também se enfadavam muito porque ocorriam mal-entendidos", indica De la Torre.

O Governo oferece vários cursos gratuitos como este em campos como a informática, hotelaria ou massagem, com o objetivo de preparar os cidadãos a trabalhar no exterior.

Segundo as estimativas governamentais, entre 8 e 10 milhões de filipinos desempenham diferentes ofícios no exterior e enviaram US$ 16,4 bilhões em remessas em 2009, mais de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

A associação de emigrantes do país, a entidade Migrante, calcula que a cada dia 3 mil filipinos em média deixam sua terra para tentar a sorte em outro lugar.

Todos partem em busca de trabalho que não podem conseguir no próprio país, mas algumas, como Mai, esperam algo mais do destino ao graduar-se como "super-empregada doméstica".

"Sou solteira, mas espero que meu príncipe encantado esteja nos Estados Unidos", afirma Mai. EFE esj/sa

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