Manila, 29 jul (EFE).- Delegados do Governo das Filipinas e a Frente Moro de Libertação Islâmica (FMLI) retomaram formalmente as conversas de paz na Malásia, sem chegar a um acordo sobre uma nova região autônoma para os muçulmanos, no sul do país.

Fontes oficiais informaram hoje que os negociadores das duas partes se reuniram durante dois dias em Kuala Lumpur, quase um ano depois que o diálogo foi rompido, quando a Suprema Corte anulou um memorando de entendimento prévio de um hipotético pacto, que colocaria fim a mais de quatro décadas de guerra.

Na semana passada, a presidente filipina, Gloria Macapagal Arroyo, ordenou que o Exército suspendesse sua última ofensiva no sul contra o FMLI, para que os guerrilheiros aceitassem retomar o diálogo.

O negociador-chefe governamental, Rafael Seguis, explicou que a iniciativa é uma medida para restabelecer a confiança entre ambas as partes e permitirá que centenas de milhares de deslocados voltem a seus lares.

O diálogo está paralisado desde agosto de 2008, quando o Supremo bloqueou o memorando de entendimento que abriria caminho para um acordo de paz.

Comandantes renegados do FMLI responderam através de ataques a povoados católicas no sul da ilha de Mindanao e a onda de violência causou mais de 300 vítimas fatais - a maioria civis - e cerca de meio milhão de deslocados.

Fundado em 1984, o FMLI é a maior organização separatista das Filipinas, com mais de 12 mil militantes que lutam a favor de um Estado islâmico independente no sul do país, dominado por sultanatos malaios.

Quase quatro décadas de conflito étnico, religioso e tribal causaram milhares de mortes e deixaram cerca de dois milhões de refugiados, em uma das áreas mais pobres do arquipélago. EFE csm/pd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.