Governo espanhol espera identificar vítimas de acidente aéreo rapidamente

Madri, 23 ago (EFE) - O Governo espanhol anunciou hoje uma rápida identificação dos 153 mortos no acidente aéreo ocorrido na quarta-feira no aeroporto de Barajas, em Madri, enquanto as famílias das vítimas expressaram seu mal-estar com a lentidão do processo e com a falta de informação sobre as causas da tragédia. Após visitar vários dos 19 feridos na tragédia, o ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou que entre hoje e amanhã a maioria dos corpos será identificada, após 53 vítimas fatais terem sido reconhecidas pelas impressões digitais. Pérez Rubalcaba disse que os trabalhos de verificação por DNA começaram hoje, e que isso permitirá identificar a maioria dos corpos. No entanto, o ministro advertiu de que, a princípio, alguns corpos demorarão mais a serem identificados, já que não têm DNA de referência, como no caso de vítimas estrangeiras e de uma criança adotada. Estamos trabalhando, tanto a Polícia e a Guarda Civil quanto o Instituto Anatômico Forense, a todo ritmo que podemos. Todos estão transtornados, mas há tempos em que não podemos nos precipitar porque as análises, em alguns casos, são cultivos biológicos, declarou.

EFE |

O ministro não quis falar sobre o mal-estar dos parentes das vítimas com a Spanair, companhia aérea proprietária do avião, a qual é acusada de ocultar informações sobre as causas do acidente.

Pérez Rubalcaba destacou, no entanto, que entende a dor dos parentes e deixou claro que o Governo espanhol está focado em acabar o mais rápido possível o trabalho de identificação e em garantir que as famílias possam enterrar seus entes queridos onde desejarem.

"No final, saberemos o que aconteceu. Devemos isso às vítimas", declarou Pérez Rubalcaba, que explicou que o avião McDonnell Douglas 82 é um modelo que continua voando, por isso "interessa a toda a aviação mundial saber o que aconteceu exatamente".

O ministro não se pronunciou sobre as possíveis causas do acidente e disse acreditar que há pessoas que falam "muitas coisas arriscadamente" e que o Governo não deseja alimentar a polêmica.

As equipes médicas que acompanham as famílias advertiram nas últimas horas de que as pessoas que ainda esperam a identificação de seus familiares estão esgotadas.

Assim disse à Agência Efe Daniel Rodríguez, chefe da equipe da Cruz Vermelha que presta apoio psicológico aos parentes, que destacou que "a incerteza e o cansaço" são muito dolorosos para essas pessoas, após três dias de sofrimento por causa da tragédia.

Cerca de 30 psicólogos e médicos continuam ao lado dos familiares, hospedados em um hotel próximo ao aeroporto, para tentar minimizar sua dor, e aos quais se juntaram voluntários da Spanair.

Luis Ojeda, sobrinho de um dos mortos, qualificou de "impagável" o trabalho destas pessoas e acrescentou que, graças a elas, "muitos dos que estão aqui não se desesperaram".

Ojeda expressou a reclamação de muitos familiares sobre o tratamento recebido da Spanair, com cujos representantes tiveram uma reunião de dez minutos na sexta-feira, e manifestou seu ceticismo com os resultados do encontro previsto para hoje.

"Não servirá muito (...). Será outra série de mentiras", disse Ojeda.

O diretor do comitê de crise criado pela Spanair, Héctor Sandoval, disse à Efe que, na reunião, um técnico da companhia dará novos dados sobre a operação de manutenção à qual a aeronave foi submetida depois de o piloto descartar a primeira decolagem por um aviso de falha técnica.

Sandoval confirmou que a "certidão de aeronavegabilidade" do avião que explodiu expiraria em 28 de agosto, por isso estava previsto que, antes dessa data, um técnico voasse com a tripulação para averiguar seu estado geral. EFE nac/wr/db

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