Governo espanhol aprova projeto de mandar imigrantes para casa

MADRI (Reuters) - O governo espanhol oferecerá aos imigrantes desempregados a possibilidade de receber um seguro-desemprego de uma só vez para voltar a seus países de origem, em virtude de um decreto de lei aprovado nesta sexta-feira. A iniciativa busca frear o número crescente de imigrantes que se inscrevem nas agências de emprego. Ela terá caráter voluntário, afetará os cidadãos de fora da UE e entrará plenamente em vigor no final de outubro ou novembro, depois dos trâmites jurídicos que obrigam a um relatório do Conselho de Estado.

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O programa está destinado aos imigrantes dos 19 países que tenham convênio com a Seguridade Social espanhola e os beneficiados devem se comprometer a não voltar à Espanha em um prazo de três anos, disse nesta sexta-feira o ministro do Trabalho, Celestino Corbacho, em uma coletiva de imprensa posterior a uma reunião do gabinete.

O decreto dará a quase 300 mil imigrantes desempregados a opção de cobrar os 40 por cento do salário total do seguro-desemprego de dois anos enquanto estiverem na Espanha e 60 por cento uma vez que estejam em casa.

Mais de dez por cento da população espanhola é composta de imigrantes que chegaram ao país nos últimos anos para cobrir empregos de baixa remuneração no setor de serviços e na indústria da construção.

A debilidade econômica tem abalado estes dois pilares de crescimento econômico e muitos analistas esperam que a Espanha entre em recessão na segunda metade do ano, um recuo drástico desde o robusto crescimento de 3,7 por cento do PIB registrado em 2007.

O desemprego aumentou em agosto em 100 mil pessoas, até alcançar um recorde em dez anos de 2,5 milhões, e se prevê que continue crescendo em dez anos. Muitos prevêem que esteja acima dos 15 por cento, ou 3,5 milhões, no próximo ano.

A comunidade imigrante tem sido a mais afetada, chegando a 67 por cento dos desempregados em agosto, comparado com o ano passado e com um aumento geral de 25 por cento.

O governo do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, que regularizou quase 700 mil imigrantes ilegais quando chegou ao poder em 2004, tem endurecido sua política imigratória.

O governo também quer restringir os vistos de reunificação familiar, que espera reduzir a imigração em 40 por cento.

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