Governo escocês liberta único condenado pelo atentado de Lockerbie

Londres, 20 ago (EFE).- O Governo escocês libertou hoje a libertação por motivos humanitários o terrorista Abdelbaset Ali al-Megrahi, condenado em 2001 à prisão perpétua pelo atentado contra um avião de Pan Am em Lockerbie, na Escócia, no qual 270 pessoas morreram.

EFE |

O ministro da Justiça da Escócia, Kerry MacAskill, disse que Megrahi, de 57 anos e que tem um câncer terminal que o deixa apenas três meses de vida, será levado hoje mesmo à Líbia, MacAskill ressaltou que adotou esta decisão com base única e exclusiva no critério dos médicos e no sistema judiciário escocês, e não na solicitação de libertação apresentada pela Líbia, em virtude de um acordo assinado com o Reino Unido sobre a transferência de prisioneiros em novembro de 2008 e ratificado em abril.

A declaração do ministro escocês veio junto a fortes críticas ao Governo britânico, ao qual acusou de ter negociado o acordo sem levar em conta a opinião de Edimburgo e de não ter informado às autoridades escocesas os termos do pacto com os EUA antes do início do julgamento, em 1998.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lamentou hoje "profundamente" a decisão tomada pelo Executivo escocês de libertar o único condenado pelo atentado de Lockerbie.

Antes, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, já tinha solicitado publicamente às autoridades escocesas que mantivessem Megrahi na prisão.

"A Justiça lhe chegará agora de um poder mais alto, que ninguém nem nenhuma jurisdição pode revogar. Vai morrer", disse o ministro escocês, acrescentando que, apesar de o terrorista "não ter mostrado nenhuma compaixão por suas vítimas", isso "não é razão suficiente" para negar misericórdia a ele e a sua família.

Megrahi é o único condenado pelo ataque, em 1988, a um Boeing 747 que se dirigia aos Estados Unidos, que explodiu quando sobrevoava a localidade escocesa de Lockerbie, atentado no qual morreram os 259 ocupantes do aparelho, 189 deles americanos, e 11 moradores do município.

Aproximadamente uma hora depois do anúncio da libertação do terrorista líbio, um aparelho da companhia Afriqiyah aterrissava em Glasgow para levar Megrahi, que cumpriu apenas oito anos do mínimo de 27 anos previstos na condenação.

No aeroporto de Glasgow, o terrorista - cidadão líbio - entrou no avião caminhando, com a ajuda de muletas.

A decisão adotada pelo Governo escocês surpreendeu o Reino Unido, dada a gravidade do atentado e a excepcionalidade da medida.

A imprensa britânica especulou nos últimos dias sobre uma possível ligação entre a libertação do terrorista e os interesses petroleiros do Reino Unido na Líbia.

Três grandes empresas britânicas - a British Petroleum, a Shell e a BG - assinaram acordos para desenvolver projetos na Líbia relacionados à exploração de gás e petróleo na região durante os últimos anos.

O príncipe Andrew, duque de York, fez quatro visitas à Líbia nos últimos dois anos para se reunir com o líder líbio, Muammar Kadafi, e seu filho.

O ministro de Negócios britânico, Peter Mandelson, também se encontrou com o filho do dirigente líbio durante suas férias na ilha grega de Corfu.

O envolvimento da Líbia no atentado de Lockerbie, o mais sangrento na história do Reino Unido, ficou comprovada nas investigações realizadas pela Scotland Yard e pelas americanas FBI e CIA, e deu lugar a uma série de sanções econômicas ao regime de Kadafi, que finalmente teve que ceder e entregar dois de seus agentes para que fossem julgados.

A suspensão das sanções, entre elas as das Nações Unidas, só aconteceu em 2003, quando Kadafi admitiu que seu país era responsável subsidiário do atentado e pagou US$ 2,7 bilhões como indenização.

A esposa de Megrahi disse, em declarações publicadas hoje pelo jornal "The Times", que o marido se sacrificou "por toda a nação (líbia)" e ressaltou que ninguém pode compensá-la+ pela ausência do esposo nem pela tristeza causada pela condenação dele.

Entre os familiares das vítimas do atentado, a decisão dividiu opiniões, pois muitos consideram que Megrahi foi utilizado pelo regime de Kadafi como um mero "bode expiatório". EFE otp/an

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