Governo eleva para cerca de 30 número de mortos no confronto de Pando

La Paz - O governo da Bolívia elevou hoje para cerca de 30 o número de pessoas que morreram no confronto armado entre civis ocorrido na quinta-feira na região de Pando, que se encontra em estado de sítio.

Redação com agências internacionais |


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Em entrevista coletiva, o ministro de governo (Interior), Alfredo Rada, afirmou que o número de vítimas "se aproxima de 30" e insistiu em que se trata da "maior massacre" ocorrido durante a democracia na Bolívia.

Rada confirmou o achado de outros dez corpos nos montes e no rio próximos à localidade de Porvenir, onde na quinta-feira grupos de opositores autonomistas se enfrentaram com simpatizantes do governo de Evo Morales.

A maioria dos mortos, segundo o governo, é camponeses que foram "massacrados" e "crivados de balas" por pessoas que pertencem à Prefeitura (Governo) de Pando, cujo titular é o opositor Leopoldo Fernández.


Grupos de oposição protestam na Bolívia / AP



Rada compareceu perante os jornalistas para responder ao comunicado dos perfeitos regionais opositores de Santa Cruz, Beni e Tarija, que advertiram hoje romper o diálogo com o governo se houver um só morto ou mais.

Morales acusa "pistoleiros brasileiros" por mortes

O presidente da Bolívia Evo Morales acusou a oposição de ter contratado pistoleiros do Brasil e do Peru para participar de uma ação que deixou 16 mortos em Pando. Em razão disso, na noite de sábado, Morales determinou a prisão do governador de Pando, Leopoldo Fernandéz, acusando-o também de desafiar o estado de sítio instaurado no país há dois dias.

Segundo informações do Jornal "Folha de S. Paulo", pela manhã, Morales fez duras críticas a Fernadéz. O que aconteceu em Cobija, submetralhadoras, narcotraficantes, pistoleiros brasileiros e peruanos operando sob o departamento de Pando é muito grave, disse.

O ministro Juan Ramón Quintana também acusou o governador pelas mortes. "Vamos prendê-lo onde estiver em Pando", afirmou a uma rádio.

Conforme o jornal, Fernandéz concedeu uma entrevista por telefone aos jornalistas e declarou que não defendera nem atacara o estado de sítio. Para ele, esta é uma ação que visa isolar e militarizar Pando. Aqui está um clima de guerra, afirmou o governador. Ele também negou a participação de brasileiros no confronto e afirmou que a violência começou na madrugada depois que supostos militantes camponeses mataram três funcionários do Serviço Nacional de Caminhos (SNC).

Crise política na Bolívia

A Bolívia vive há semanas uma onda de protestos contra o governo em várias regiões do país controladas pela oposição, que gerou choques desde terça-feira passada.

Os governadores regionais opositores de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca exigem que Morales devolva a receita petrolífera que as regiões recebiam pelo Imposto Direto aos Hidrocarbonetos (IDH) e que o Governo cortou para dar um auxílio direto aos idosos.

Estes governadores promoveram processos de autogoverno em suas regiões que o Executivo qualifica de "ilegais" e "separatistas". Também rejeitam frontalmente a Constituição impulsionada por Morales e suas bases.


Mapa político da Bolívia

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