Governo e setor rural argentinos trocam acusações por protestos

Por Nicolás Misculin BUENOS AIRES (Reuters) - Governo e produtores agrícolas argentinos acusaram-se mutuamente nesta sexta-feira pela retomada dos protestos no campo, que poderiam paralisar as exportações de grãos de um dos maiores fornecedores mundiais. A manifestação dos produtores, que provocou o desabastecimento de alimentos básicos em grandes cidades argentinas em março, resultou até o momento na renúncia de um ministro da Economia e se converteu no principal conflito enfrentado pela presidente Cristina Fernández de Kirchner desde sua posse, em dezembro.

Reuters |

O conflito influenciou negativamente os mercados financeiros argentinos e impulsionou as principais praças internacionais de grãos, por conta do prognóstico de uma oferta menor de produtos do país.

Os produtores rurais pedem por mudanças em impostos aplicados às vendas internacionais de grãos e derivados e instituídos em março e que, na prática, elevaram a carga tributária que incide sobre a soja, maior bem de exportação do país, enfurecendo um setor que há anos requisitava um diálogo mais aberto com o governo.

'Eles ficaram loucos. Desta vez (os protestos) não são nossa culpa. Porque nós oferecemos a chance de falar sobre o problema deles. A coisa fracassou porque não quiseram', disse o chefe de gabinete, Alberto Fernández, a uma rádio local.

No segundo dia do protesto, que deve continuar até quinta-feira, as manifestações dos produtores eram pacíficas, apesar do bloqueio de algumas rodovias para impedir a passagem de alimentos.

As manifestações do setor agropecuário argentino tiveram início em março e duraram três semanas, implicando na suspensão das vendas de grãos e carnes.

Após uma convocação oficial para negociações, o setor rural suspendeu os protestos no dia 2 de abril e retomou o diálogo com o governo, mas as conversas não avançaram em relação às tarifas de exportação, o que levou os fazendeiros a retomarem as ações anteriores.

A presidente argentina assegurou nesta semana que possui força para 'suportar' um conflito potencialmente longo.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG