Governo e rebeldes violam direitos humanos no Congo, diz ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou que tanto as forças do governo da República Democrática do Congo quanto os grupos rebeldes atuando no país cometeram graves abusos contra os direitos humanos.

BBC Brasil |

Um novo relatório da entidade, divulgado na segunda-feira, aponta que ambos os lados são responsáveis por assassinatos em massa, estupros e tortura.

O documento cobre o período de julho a novembro, durante o qual eclodiram os combates no leste do país. "A situação dos direitos humanos no Congo é motivo para grande preocupação", disse Ban no relatório.


Milhares de refugiados buscam abrigo no Congo / AP

'Cruel'

Segundo o secretário-geral, membros da polícia e do Exército congoleses "são responsáveis por um grande número de violações dos direitos humanos, como execuções arbitrárias, estupros, tortura e tratamento cruel, desumano e degradante".

Os serviços de inteligência civil e militar do Congo também são acusados de realizar prisões arbitrárias, seguidas de "tortura e extorsão".

Ban também acrescenta que funcionários do governo e políticos do país ameaçaram e prenderam jornalistas e voluntários de organizações de defesa dos direitos humanos.


Congalense agredido é levado por soldados da Tropas do Governo da Congo / AP

Já o grupo rebelde tutsi e a milícia hutu ruandesa são apontados pelo relatório como perpetradores de "abusos graves com impunidade, como assassinatos em massa, seqüestros, recrutamento forçado de crianças, destruição de campos de refugiados, trabalhos forçados e violência sexual".

Na semana passada, o Conselho de Segurança aprovou o envio de mais 3 mil soldados e policiais para a missão de paz da ONU atuando no Congo, em uma tentativa de evitar a escalada dos conflitos no leste do país.

A recente onda de violência gerou uma grave crise humana, levando cerca de 250 mil pessoas a deixar suas casas.

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