Governo e rebeldes aceitam negociação em Darfur

Por Lin Noueihed DUBAI (Reuters) - O governo do Sudão e uma importante facção rebelde da região de Darfur assinaram na terça-feira um tratado com concessões mútuas e aceitaram iniciar um processo de paz, enquanto o mediador Catar fez um apelo para que outros rebeldes e o Chade participem do diálogo.

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O acordo de terça-feira inclui medidas destinadas a proteger e ajudar refugiados de Darfur, e um compromisso mútuo de manter negociações em Doha. O Movimento pela Justiça e Igualdade (MJI) também quer uma troca de prisioneiros.

O grupo prometeu libertar alguns funcionários do governo sudanês como prova de boa vontade. A questão dos prisioneiros é espinhosa, e quase frustrou os esforços do Catar.

O Sudão começou na semana passada a negociar com o MJI, depois de seis anos de um conflito que segundo especialistas matou 200 mil pessoas e deixou 2,7 milhões de refugiados.

Mas outras facções rebeldes se recusam a dialogar com Cartum, e a cooperação do vizinho Chade, onde há muitos refugiados de Darfur, é considerada essencial para qualquer paz duradoura.

"Quero esclarecer que este acordo está aberto a todas as outras facções", disse o primeiro-ministro do Catar, xeque Hamad bin Jassim Al Thani, a jornalistas em Doha, onde o diálogo ocorre.

"Este processo também deveria envolver um acordo entre o Chade e o Sudão, pois isso ajudará muito a resolver a questão. Nós e os irmãos na Líbia estamos tentando, e esperamos muito em breve poder fazer algo, pois isso irá (...) levar à paz não só entre os sudaneses, mas também deles com seus vizinhos," declarou.

O acordo preliminar ocorre enquanto o Sudão aguarda a sentença do Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre um mandado de prisão contra o presidente Omar Al Bashir, acusado de ser o responsável por um genocídio em Darfur. A sentença deve sair nas próximas semanas.

A ONU e os EUA disseram que o acordo de terça-feira pode ser o primeiro passo para a paz. Mas autoridades citaram a ausência de um cessar-fogo e o não-envolvimento dos outros grupos rebeldes como um sinal de que é preciso mais empenho.

A embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice, disse também que o acordo não muda a posição dos EUA de que o indiciamento de Bashir no TPI não deve ser adiado.

O MJI e outros rebeldes de Darfur pegaram em armas contra o governo em 2003, exigindo mais representação política e infraestrutura para esta região do oeste sudanês.

Cartum mobilizou milícias árabes para esmagar a revolta, mas nega as acusações norte-americanas de que isso equivale a um genocídio.

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