Governo e oposição retomam reunião para acabar com violência na Bolívia

LA PAZ - O governo do presidente da Bolívia, Evo Morales, e os representantes dos governadores opositores se reúnem hoje pela terceira vez para realizarem uma negociação que permita acabar com a onda de protestos que deixou vários mortos no país.

Redação com agências internacionais |

Fontes do Palácio de governo afirmaram que Morales e o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, já estão reunidos com o governador de Tarija, Mario Cossío, porta-voz de seus colegas opositores de Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca.

Deve ser anunciado nas próximas horas um pré-acordo para fixar as condições de diálogo que deve ser realizado entre as partes para solucionar a crise boliviana.

"Esperamos acertar no dia de hoje esses pontos em que avançamos até agora. Este acordo pode servir como base para continuarmos conversando", disse o presidente em uma entrevista coletiva.  "Tenham certeza de que vamos garantir autonomias departamentais e regionais", acrescentou Morales.

Na mesa de negociações está a controvérsia sobre a distribuição da renda petrolífera para os departamentos, o projeto da nova Constituição patrocinado por Morales e os estatutos autonomistas de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija.

Morales, que chegou hoje de madrugada de Santiago, convocou uma entrevista coletiva aparentemente para explicar a decisão tomada pelos líderes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) de apoiar seu governo na crise no país.


Mapa político da Bolívia


Apoio internacional

Morales recebeu ontem o apoio unânime dos chefes de Estado sul-americanos na cúpula extraordinária de Santiago, onde a Unasul pediu diálogo para estabelecer as condições que permitam superar a atual situação "dentro do pleno respeito ao Estado de direito e à ordem legal vigente".


Presidentes da América do Sul se encontraram no Chile / AP

O prolongado conflito boliviano teve seu foco de violência mais grave em Pando (norte), na fronteira com o Brasil, onde, segundo um recente relatório do governo, foram "identificadas e confirmadas" 15 mortes e não 30, como afirmado inicialmente.

Segundo o próprio Executivo, 37 pessoas se feriram e 106 estão desaparecidas.

As conversas de Morales com a oposição excluem o governador de Pando, Leopoldo Fernández, acusado pelo governo de ser o causador do massacre de quinta-feira na cidade de Porvenir.

Segundo informou a imprensa local, o governador Leopoldo Fernández, que nega as acusações, foi preso em Cobija, capital do Estado, ao norte de La Paz.

A Procuradoria-Geral denunciou Fernández por crime de "genocídio na forma de massacre sangrento", além dos líderes de Pando contrários a esta autoridade e favoráveis ao governo.

Os outros acusados são o senador suplente Abraham Cuellar, da União Nacional (UN), mas que apóia o Governo no Congresso, e o ex-prefeito de Cobija, capital de Pando, Miguel Becerra. 

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* Com informações da Reuters e EFE

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