Governo e oposição retomam diálogo na Bolívia

COCHABAMBA, Bolívia (Reuters) - O governo e a oposição retomaram na quinta-feira as negociações na Bolívia, admitindo que há grandes dificuldades para definir reformas que ponham fim ao conflito quer ameaça dividir o país. Sindicatos e outras organizações que apóiam o presidente Evo Morales haviam ameaçado iniciar uma onda de manifestações se três governadores de direita continuarem se opondo à adoção de uma nova Constituição de viés socialista.

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Os escassos avanços obtidos nos últimos três dias por comissões técnicas pareceram ofuscados pouco antes de ser retomada a negociação, quando o governo informou que os três governadores envolvidos no processo pretendiam alterar grande parte da nova Constituição, e não só o capítulo que se refere à autonomia regional pleiteada por eles, como já estava definido.

"Não se pode ganhar numa mesa de diálogo o que se perdeu perante o povo, mediante o voto," disse o vice-presidente Álvaro García em entrevista coletiva antes de um novo encontro num hotel de Cochabamba (centro).

García acusou os governadores de Santa Cruz, Tarija e Beni de quererem ir além de suas atribuições regionais.

"Isso parece uma chacota política, não tem sentido, não corresponde à realidade . Para ter força política na mesa de diálogo é preciso ter força no voto, na Assembléia Constituinte ou na força nacional", disse García.

Dos 250 constituintes, 168 aprovaram em dezembro a nova Carta, "e não é possível que com 10 ou 15 votos se queira chantagear para impor mudanças", disse o vice de Morales.

Mais de 20 pessoas morreram em incidentes ligados aos protestos políticos das últimas semanas, em que a oposição chegou a interromper o fornecimento de gás da Bolívia para Argentina e Brasil.

O governador oposicionista de Santa Cruz, Rubén Costas, entrou na reunião de quinta-feira mostrando-se pouco otimista. "É muito difícil que o que não se pôde arrumar em nove meses se possa arrumar em uma semana", disse.

Em discurso a camponeses horas antes do novo encontro com governadores, Morales acusou a oposição "neoliberal" de defender latifundiários e estimular a divisão do país.

"Agora os que diziam independência dizem que haja autonomia departamental plena, mas autonomia departamental plena é outra independência", afirmou, num apelo pela unidade nacional.

O presidente, que nas últimas semanas recebeu o apoio de outros governos sul-americanos, disse que espera que os prefeitos aceitem sua proposta de "constitucionalizar" as autonomias.

(Reportagem de Danilo Balderrama)

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