Governo e oposição retomam diálogo de pacificação na Bolívia

O crucial diálogo para reestablecer a paz na Bolívia foi retomado na tarde deste domingo no palácio Quemado, em La Paz, com a participação de delegados do governo e de um representante dos cinco governadores rebeldes, informou o vice-presidente boliviano Alvaro García.

Redação com agências internacionais |

"O governo se apresenta com uma ampla predisposição para discutir os temas de fundo", incluindo a restituição do imposto do gás para as regiões e as autonomias, garantiu García.

Entretanto, "não serão negociados os mortos" registrados na quinta-feira passada em Pando, que foram responsabilidade do governador do departamento, Leopoldo Fernández, afirmou o vice-presidente.


Manifestantes da oposição entram em confronto com partidários de Morales / Reuters

Mario Cossío, governador de Tarija e delegado dos cinco governadores rebeldes, disse pouco antes poco antes na casa de governo que "os temas que são de preocupação e que têm a ver com este processo de militarização por um lado, e de mobilização (opositora) de outro, devem fazer parte dos acordos preliminares" para alcançar uma solução para a crise política.

Um documento preliminar será assinado ao término da reunião iniciada na sexta-feira e retomada neste domingo, segundo García.

Busca de diálogo

Há três semanas, a Bolívia é sacudida por violentos enfrentamentos entre seguidores de Morales e opositores. Em meio à onda de violência, os departamentos de oposição aceitaram abrir um canal de diálogo com o governo para chegar a um acordo de reconciliação nacional.

Uma reunião foi marcada para este domingo, quando funcionários do governo se reunirão com o governador do departamento de Tarija, Mario Cossio, que representará a oposição. Em Santa Cruz, a mediação brasileira é vista como fundamental para um acordo.

'Esperamos que o presidente Lula possa mediar. Houve contatos iniciais com o Brasil e esperamos que o Brasil, com a liderança que tem na região, possa ser aquele que leve à pacificação da Bolívia', declarou Branko Marinkovic Jovicevic, presidente do movimento para a autonomia de Santa Cruz.

No departamento de Pando, os conflitos entre opositores e apoiadores do governo deixaram quase 30 mortos, e na sexta-feira o presidente Morales decretou estado de sítio na região.

Crise política na Bolívia

A Bolívia vive há semanas uma onda de protestos contra o governo em várias regiões do país controladas pela oposição, que gerou choques desde terça-feira passada.

Os governadores regionais opositores de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca exigem que Morales devolva a receita petrolífera que as regiões recebiam pelo Imposto Direto aos Hidrocarbonetos (IDH) e que o Governo cortou para dar um auxílio direto aos idosos.

Estes governadores promoveram processos de autogoverno em suas regiões que o Executivo qualifica de "ilegais" e "separatistas". Também rejeitam frontalmente a Constituição impulsionada por Morales e suas bases.


Mapa político da Bolívia

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