Governo e oposição recorrem de resultados das eleições no Zimbábue

Harare, 7 mai (EFE).- O partido governante e a oposição do Zimbábue recorreram judicialmente dos resultados das eleições de 29 de março, anunciou hoje o jornal oficial The Herald.

EFE |

Segundo o jornal, ferramenta habitual do Governo para divulgar suas informações, o total dos distritos eleitorais cujos resultados foram postos em dúvida são 105, dos 207 nos quais se votou no final de março.

Nas eleições gerais de 29 de março, a oposição ganhou a maioria parlamentar, pela primeira vez na história do país, enquanto na votação presidencial será necessário um segundo turno, segundo os dados oficiais.

De acordo com o periódico governamental, o partido do presidente Robert Mugabe, União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), apresentou recursos judiciais em 53 distritos eleitorais, ao tempo que em outros 52 o mesmo foi feito pelo opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC).

A decisão forçou o Poder Judiciário a reforçar o Tribunal Superior com 17 juízes, a fim de dirimir os recursos eleitorais.

As sentenças têm que ser conhecidas em um prazo máximo de seis meses, segundo o periódico governamental.

De acordo com o "Herald", o Zanu-PF considera que em algumas circunscrições a oposição subornou agentes eleitorais, e o MDC acredita que em outras os partidários da legenda governante compraram votos e interferiram no processo eleitoral.

Zanu-PF e MDC já haviam recorrido anteriormente dos resultados de 20 distritos perante a Comissão Eleitoral, mas também podem apresentar recursos judiciais caso não se dêem por satisfeitos com a decisão das autoridades eleitorais.

Nas eleições parlamentares, o Zanu-PF, que tinha a maioria na Assembléia desde a independência do país, em 1980, obteve 97 deputados, enquanto as duas facções do MDC alcançaram 109. Também foi eleito um legislador independente.

No Senado, o Governo e a oposição dividiram a Casa em partes iguais.

Quanto à eleição presidencial, segundo os dados oficiais, o líder do MDC, Morgan Tsvangirai, obteve 47,9% dos votos, enquanto Mugabe, no poder desde 1980, ficou com 43,2%.

A oposição, no entanto, sustenta que, de acordo com as atas de apuração, obteve os suficientes votos para que Tsvangirai se proclame vencedor sem a necessidade de um segundo turno.

A Comissão Eleitoral ainda não divulgou a data do segundo turno eleitoral. EFE ag/gs

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