Harare, 11 ago (EFE).- A reunião entre o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e os dirigentes opositores Morgan Tsvangirai e Arthur Mutambara prossegue esta madrugada, mais de 12 horas após seu início, sem que tenham sido divulgados os resultados desse encontro que busca formar um Governo de união nacional.

O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, também participa da reunião. Ele chegou no sábado a Harare para mediar as negociações que pretendem acabar com a crise política no Zimbábue e esperava retornar a Pretória no domingo, segundo seus porta-vozes.

Mbeki, mediador designado para o conflito do Zimbábue pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês), apoiado por representantes da ONU e da União Africana (UA), reuniu-se no domingo separadamente com os líderes zimbabuanos e por volta do meio-dia (7h, Brasília) começou um encontro conjunto.

A impresa sul-africana e zimbabuana insistiram que a presença de Mbeki indica a proximidade de um acordo para formar um Executivo de unidade entre a governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) e as duas facções do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC).

Na quarta-feira passada o jornal sul-africano "The Star" publicou uma suposta minuta do acordo a que teriam chegado a Zanu-PF e o MDC, segundo o qual Mugabe ocuparia o cargo de Presidente de Honra e Tsvangirai seria o primeiro-ministro com poderes executivos.

No entanto, durante este domingo a televisão privada sul-africana "E-News" disse de Harare que eles poderiam decidir por um sistema em que Mugabe e Tsvangirai compartilhariam o poder Executivo.

As conversas entre Zanu-PF e MDC começaram com um memorando de entendimento assinado no dia 21 de julho em Harare para negociar um Gabinete de unidade, depois que a comunidade internacional rejeitou o resultado das eleições de 29 de junho, em que Mugabe foi reeleito.

Mugabe foi derrotado por Tsvangirai no primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 29 de março, mas este não obteve 50% dos votos necessários para alcançar a vitória.

Tsvangirai se retirou antes da realização do segundo turno alegando ataques contra seus seguidores por parte de milícias leais a Mugabe.

A comunidade internacional não reconheceu este resultado e a União Africana (UA) pressionou Mugabe para que estabelecesse conversas visando um Governo de unidade, já que no Parlamento, ainda não convocado, a oposição tem maioria. EFE sk/ab/rr

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