Governo e oposição não chegam a acordo para tentar superar crise na Bolívia

LA PAZ - O diálogo político iniciado na Bolívia para superar a crise vivida pelo país entrou em fase de estagnação diante da impossibilidade de concretizar acordos entre o governo do presidente Evo Morales e seus opositores regionais.

EFE |

A nova Constituição e o regime autônomo exigidos pelos líderes regionais de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija são os principais empecilhos que impediram o fechamento de um pré-acordo neste domingo após quatro dias de negociações na cidade de Cochabamba, informou hoje a imprensa.

Evo Morales e seu governo tentaram forçar um acordo para manterem a convocação do referendo sobre a nova Constituição, mas os governadores regionais destas regiões exigiram em troca que o projeto de Carta Magna inclua autonomia departamental plena para seus territórios.


Apoiadores de Evo Morales marcham em La Paz / AP

Morales propôs um acordo que permita "viabilizar" antes de primeiro de outubro a aprovação no Congresso da lei para convocar as duas consultas necessárias para ratificar o projeto constitucional incluindo a conciliação das autonomias no texto.

No entanto, os governadores regionais se mostraram em desacordo com esta data e pediram mais tempo para continuarem o trabalho das comissões técnicas abertas em Cochabamba, além de terem exigido uma autonomia departamental plena.

O vice-ministro de Descentralização, Fabián Yaksic, afirmou ontem à noite que a atitude dos governadores "coloca em risco o diálogo" por estes fazerem propostas que representam um "retrocesso" nas negociações, informou hoje a agência estatal "ABI".

O representante dos governadores regionais opositores, Mario Cossío, afirmou que a condição para "acompanhar" a convocação constitucional é "o respeito à autonomia departamental plena que foi ganha" em Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando.

Apesar destas diferenças, o processo de diálogo continua com o trabalho das comissões técnicas que estudam os principais pontos de enfrentamento entre as duas partes.

Além da nova Constituição e das autonomias, o outro assunto principal é a distribuição territorial das receitas petrolíferas procedentes do Imposto Direto aos Hidrocarbonetos (IDH).

A falta de acordos levou os setores sociais que apóiam Morales a anunciarem a radicalização das medidas de pressão contra os opositores e o cerco contra a cidade de Santa Cruz, reduto dos autonomistas.

O "diálogo nacional" começou em Cochabamba (centro do país) há quatro dias, sob a observação de vários organismos internacionais, para tentar pacificar o país após semanas de conflito e violência que deixaram pelo menos 17 mortos na região de Pando, que continua em estado de sítio.

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