Governo e oposição do Zimbábue retomam negociações na África do Sul

Johanesburgo, 10 jul (EFE).- A oposição e o Governo do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, retomaram hoje em Pretória (África do Sul) as negociações para tirar o país da crise política em que se encontra, informou um porta-voz oficial sul-africano.

EFE |

Participaram da reunião representantes do oposicionista Movimento por Mudança Democrática (MDC) e do governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), disse à imprensa o porta-voz da Presidência sul-africano, Mukoni Ratshitanga.

O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, é o mediador designado pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês) para tratar com as partes da crise do Zimbábue.

A delegação do MDC é liderada pelo secretário-geral do partido, Tendai Biti, que ontem recebeu uma ordem judicial para receber de volta seu passaporte, que tinha entregue às autoridades após ser acusado de traição por um tribunal de Harare.

Biti foi processado após declarar publicamente que o MDC era o vencedor das eleições gerais de 29 de março, nas quais o partido obteve maioria no Parlamento, mas as leis do Zimbábue indicam que o único órgão facultado para emitir esse veredicto é a Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC, em inglês).

O porta-voz oficial do MDC, Nelson Chamisa, confirmou à Agência Efe em Harare que as conversas iniciadas hoje em Pretória estão centradas na maneira de pôr fim à violência no Zimbábue antes de as partes começarem, na quarta-feira, as reuniões sobre a possibilidade da formação de um Governo conjunto.

Chamisa deixou claro que, apesar de o MDC conversar com representantes do Zanu-PF, mantém suas reivindicações de que o partido governista zimbabuano deve acabar com a violência contra os seguidores da oposição.

"Exigimos que o partido no Governo desmilitarize suas milícias juvenis e ponha fim à violência", declarou Chamisa.

O MDC afirma que mais de 100 de seus militantes foram mortos por paramilitares leais a Mugabe, que renovou seu mandato pela sexta vez consecutiva em 27 de junho no segundo turno de eleições presidenciais marcadas pela violência política.

Mugabe foi derrotado pelo líder do MDC, Morgan Tsvangirai, no primeiro turno das eleições, em 29 de março.

Tsvangirai, no entanto, não recebeu maioria absoluta direta de votos e foi necessária a realização do segundo turno.

Na segunda etapa do pleito presidencial, Mugabe foi candidato único, pois Tsvangirai retirou sua candidatura, após a campanha de intimidação contra seus seguidores, que incluiu ataques e assassinatos, realizados por milícias leais ao Governo com a anuência das forças de segurança.

As missões de observação das eleições enviadas ao Zimbábue pelo Parlamento Pan-africano e pela SADC não aprovaram o pleito como livre e justo, e não deram legitimidade ao novo mandato de Mugabe, que governa o país desde 1980.

Na recente cúpula de Sharm el-Sheikh (Egito), a União Africana (UA) pediu ao regime de Mugabe e à oposição do Zimbábue para que inicie um diálogo para o estabelecimento de um Governo de união nacional. EFE sk/wr/gs

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