Governo e oposição do Zimbábue iniciam negociações para formar gabinete

JOHANESBURGO - O governo e a oposição do Zimbábue iniciaram, nesta terça-feira, com a mediação sul-africana, negociações para formar um gabinete de união nacional que permita que o país saia da crise política que atravessa.

EFE |

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e os líderes das duas facções do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai e Arthur Mutambara, assinaram na última segunda em Harare um documento de entendimento que permitirá negociar a formação de um novo Governo no Zimbábue.

Nenhum dos três líderes participará diretamente nas negociações na capital da África do Sul, que deve durar duas semanas.

"As conversas foram realizadas em um local não identificado de Pretória", confirmou à Agência Efe um porta-voz do Governo sul-africano que solicitou o anonimato e que ressaltou que o acordo assinado pelas partes zimbabuanas estabelece um "embargo total de imprensa" durante todas as negociações.

Durante o período do diálogo nenhuma das partes comunicará, direta ou indiretamente, à imprensa o conteúdo das discussões, estabelece o documento em seu ponto 8 com referência à comunicação com os meios de comunicação.

Esta cláusula do documento desenvolve o conceito dizendo que "As partes se absterão de negociar através da imprensa, seja mediante seus representantes nas negociações ou qualquer dos funcionários de seus (respectivos) partidos".

A assinatura do acordo foi realizada na presença do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, mediador designado pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) para as negociações, e que, aparentemente, também não participou da primeira sessão de conversas, segundo fontes próximas às mesmas.

Mugabe e Tsvangirai iniciaram o diálogo após uma intensa pressão da comunidade internacional e da União Africana para que encontrem a forma de compartilhar o poder, mas os analistas antecipam que as conversas serão muito difíceis, pois ambos afirmam ser o presidente legítimo do Zimbábue.

O líder zimbabuano foi derrotado por Tsvangirai no primeiro turno das eleições presidenciais realizadas no último 29 de março.

Entretanto, a Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC), entidade nomeada por Mugabe, determinou que Tsvangirai não obteve o número de votos suficiente para obter uma maioria direta e ordenou a realização de um segundo turno.

Este segundo turno foi realizado no dia 27 de junho e nele Mugabe obteve mais de 80% dos votos, informou a ZEC.

Porém, a comunidade internacional não reconheceu este resultado pelo fato de Mugabe ter participado sozinho da disputa, pois Tsvangirai se retirou por causa da onda de ataques e assassinatos iniciada contra seus partidários pelas milícias leais ao Governo com a anuência das forças de segurança.

O início das negociações foi possível graças à inclusão de um grupo de referência da ONU, da União Africana (UA) e da SADC que apoiará a mediação de Mbeki.

Tsvangirai propunha desde o ano passado o fortalecimento da UA nas negociações do MDC com a governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), pois considera que Mbeki favoreceu até agora Mugabe.

O líder do MDC advertiu hoje a seus partidários que as conversas do partido com a Zanu-PF são bem-vindas, mas que, por si mesmas, não garantem o fim da crise em que o Zimbábue está imerso e que fracassarão caso se realizem enquanto continua a violência contra a oposição política no país.

"Este é apenas o primeiro passo de uma travessia cuja duração e êxito depende da sinceridade e da boa fé de todas as partes envolvidas", declarou Tsvangirai em comunicado distribuído à imprensa.

Mugabe, que governa ininterruptamente o Zimbábue desde a independência do país em 1980, acusa Tsvangirai de conjurar com o Reino Unido para derrubá-lo e declarou que a antiga metrópole de seu país ou o MDC não ocuparão o poder enquanto ele e os veteranos de guerra da Zanu-PF estiverem vivos.

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