Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - O governo da Bolívia afirmou que a recusa da oposição conservadora em adiantar as próximas eleições gerais é o motivo pelo qual ainda não foi fechado um acordo para que o Congresso convoque um referendo para mudar a Constituição nacional.

A falta do acordo fez com que uma sessão conjunta de senadores e deputados, iniciada no sábado, fosse suspensa na madrugada de domingo. Nesta sessão, seria votada a lei sobre a submissão do novo texto constitucional à consulta popular.

O ministro do Desenvolvimento Rural, Carlos Romero, disse que uma comissão multipartidária chegou a um acordo sobre todos os temas da nova Carta Magna, mas setores opositores radicais se opuseram de última hora a um plano que reduziria o mandato dos parlamentares.

"Este acordo que já podíamos ter passado ficou travado por causa de temas que não são devidamente estruturais, que não definem o conteúdo do projeto da Constituição", disse Romero em uma entrevista coletiva, na noite de domingo, na sede do Congresso.

O ministro, principal negociador do governo, fez esta declaração depois do vice-presidente, Alvaro García, ter dito que pretendia reinstalar a sessão legislativa começada na noite de sábado, antes que uma enorme manifestação a favor do referendo chegasse a La Paz.

Romero indicou que a oposição tinha aceitado a inclusão da reeleição presidencial imediata ao texto, sob a condição de que Evo Morales e o Congresso atual completem seu mandato de cinco anos até janeiro de 2011.

O governo de Morales pretende adiantar as eleições para junho de 2009, o que garante o ingresso de representantes indígenas nas câmaras legislativas.

O deputado Alejandro Colanzi, da ala moderada da oposição, confirmou à televisão estatal que as discrepâncias sobre pequenas disposições do texto persistem, mas assegurou que "a vontade do diálogo se mantém firme".

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