Governo e oposição da Bolívia medem forças em eleição regional

Abraham Zamorano Sucre (Bolívia), 28 jun (EFE).- As duas Bolívias, a nacional-esquerdista liderada por Evo Morales e a autonomista defendida por opositores ao chefe de Estado, se enfrentarão amanhã nas urnas, na escolha do governador do departamento (estado) de Chuquisaca, cuja capital é Sucre.

EFE |

Em evidente paradoxo, o indigenismo camponês que levou Morales ao poder apresenta como candidato um sociólogo e ex-ministro, Walter Valda, enquanto os movimentos universitários, civis e empresariais de Sucre apóiam a camponesa quíchua Savina Cuéllar, favorita nas pesquisas.

Wílder Flórez, deputado do governista Movimento ao Socialismo (MAS), disse à Agência Efe que Cuéllar "está sendo usada para abafar a discriminação racial" existente em Sucre, classificada por ele como "estrutural".

No entanto, a candidata Cuéllar assegurou ontem que ninguém a usa, da mesma maneira que o presidente Morales não conseguiu manipulá-la quando ela integrou a Assembléia Constituinte pelo MAS.

Tanto Cuéllar como Valda representam a divisão vivida entre o planalto andino, reduto de Morales, e as regiões opositoras que, nos últimos dois meses, promoveram uma onda de referendos autonomistas considerados separatistas pelo Governo.

Chuquisaca, no meio das duas regiões, parecia ser um território favorável a Morales até que seu Governo se opôs abertamente ao reconhecimento de Sucre como capital plena e constitucional da Bolívia, e à transferência do Executivo de La Paz para a mesma cidade, sede do Poder Judiciário.

Durante a Assembléia Constituinte, teve início em Sucre um movimento opositor que pode ter seu ápice amanhã, com a vitória de Cuéllar, segundo pesquisas divulgadas por diversos meios de comunicação.

O Governo tentou reagir anunciando que, se ganhar, promoverá um referendo para que Sucre recupere o Executivo e o Legislativo, perdidos para La Paz em uma breve guerra civil no século XIX, o que já tinha sido prometido por Cuéllar.

O secretário da Corte Departamental Eleitoral (CDE), Julio César Oropeza, disse à Agência Efe que as mesas de votação serão abertas às 8h (9h de Brasília) e fecharão oito horas depois.

Segundo Oropeza, os resultados definitivos são esperados para terça-feira, embora na madrugada de segunda começarão a ser divulgados números parciais da apuração.

A expectativa é que a votação em Chuquisaca transcorra normalmente, apesar das denúncias de confrontos e violência trocadas pelos dois lados.

A imprensa local informou hoje que a Polícia montou um esquema especial em pelo menos três localidades da área rural, nas quais são esperados focos de violência.

No entanto, Oropeza comentou que a segurança coordenada pela CDE é o normal nestes casos e que não há medidas especiais diante da delicada conjuntura política que o país vive.

"Estamos logicamente nos prevenindo perante qualquer eventualidade que possa ser apresentada, mas não temos denúncia concreta nem conhecimento exato de que haverá problemas", comentou o funcionário da CDE.

Oropeza também disse que as Forças Armadas se encarregarão de vigiar as divisas entre os departamentos para evitar a entrada de comboios de outras regiões do país.

Além da questão de Sucre, a autonomia, principal bandeira da oposição a Morales na Bolívia, foi outro dos eixos centrais da campanha em Chuquisaca.

Uma das propostas centrais da candidata opositora também é que Chuquisaca se transforme no quinto dos nove departamentos do país a se enverar pelo caminho do autogoverno, depois que Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando o fizeram em referendos autonomistas.

Segundo Cuéllar, a promoção de uma consulta sobre o tema será uma das primeiras medidas que tomará quando chegar ao Governo.

O Governo, no entanto, não têm reconhecido essas votações, que não foram avalizadas pelo Congresso nem pela Corte Nacional Eleitoral, nem os novos status das regiões autonomistas, pois estariam fora da atual Constituição.

No pleito de amanhã, 210 mil habitantes estarão legalmente obrigados a votar, dos quais mais de 53% depositarão seu voto em áreas urbanas, e o restante naz zonas rurais do departamento. EFE az/bm/sc

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