Governo e oposição da Bolívia buscam acordo para suavizar crise

O governo boliviano e a oposição podem selar nesta terça-feira um acordo com as bases de uma futura negociação para descomprimir a violenta crise que deixou pelo menos 18 mortos, depois do apoio concedido pela comunidade internacional ao presidente Evo Morales.

AFP |

O vice-presidente Alvaro García e o prefeito (governador) de Tarija, Mario Cossío, em representação aos colegas rebeldes de Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca, se reuniram durante a noite de segunda-feira e madrugada de terça-feira para tentar estabelecer uma base de acordo.

O entendimento deve conter os temas que serão discutidos entre delegados do governo e a oposição, como o pedido dos prefeitos rebeldes de que sejam restituídos os fundos procedentes do imposto sobre os combustíveis que o Executivo destinou ao pagamento dos aposentados.

Também será debatida a vigência das autonomias e o destino da nova Constituição que Morales deseja validar em um referendo em janeiro de 2009, apesar da oposição da direita.

No entanto, a aproximação está repleta de sobressaltos, apesar dos dirigentes cívicos de Santa Cruz terem anunciado a suspensão dos bloqueios de estradas, iniciados há três semanas, e o tráfego ter começado a voltar ao normal.

Porém, a tranqüilidade ainda está longe. Camponeses ligados ao governo reforçaram na segunda-feira um corte de estrada 850 km a leste de La Paz, exigindo a renúncia do prefeito Rubén Costas, por promover oposição ao presidente Morales.

Além disso, o governo anunciou que 11 líderes civis de Pando - onde aconteceu o massacre de 16 camponeses leais a Morales, com mais de 100 feridos e desaparecidos - serão detidos nas próximas horas.

O saldo global de mortos é de 18 desde que a violência explodiu há uma semana em Santa Cruz.

Outro ponto de polêmica é a ordem de prisão contra o prefeito de Pando, Leopoldo Fernández, acusado de estimular a violência.

As gestões políticas locais coincidem com as iniciativas diplomáticas, e o importante respaldo da União de Nações Sul-americanas (Unasul) e do Grupo do Rio à democracia boliviana e ao presidente Morales.

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