Governo e oposição chegam a acordo para tirar Zimbábue de crise

Stanley Karombo. Harare, 15 set (EFE).- Os dois partidos políticos rivais do Zimbábue chegaram hoje a um acordo para formar um Governo de união nacional, com objetivo de tirar o país da profunda crise em que se encontra.

EFE |

O pacto foi assinado em um hotel de Harare pelo presidente zimbabuano, Robert Mugabe, e o principal líder da oposição, Morgan Tsvangirai, após quase dois meses de tensas negociações, que em muitas ocasiões estiveram à beira do colapso devido à intransigência de ambas as partes.

O acordo, através do qual Mugabe segue como presidente e Tsvangirai assume o cargo de primeiro-ministro, foi assinado ainda pelo também opositor Arthur Mutambara, em presença do mediador nas negociações, o chefe do Estado sul-africano, Thabo Mbeki, além de outros líderes africanos e centenas de convidados.

O documento põe fim a quase três décadas de monopólio de Mugabe no poder, embora não o relegue a um cargo simbólico, como pretendia Tsvangirai, que deverá compartilhar as funções executivas com seu rival.

O novo Governo, em que Mugabe retém a chefia do Gabinete e das Forças Armadas, enquanto Tsvangirai liderará o conselho de ministros e da Polícia, terá Mutambara como vice-primeiro-ministro, segundo anunciou o presidente sul-africano.

O acordo assinala que o novo Conselho de Ministros terá 31 pastas, 15 para o partido de Mugabe, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF); 13 para a facção majoritária do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), liderada por Tsvangirai, e três para a minoritária de Mutambara.

Tsvangirai disse que a prioridade do novo Governo será atender às necessidades alimentícias da população, que sofre as conseqüências de um desabastecimento geral suscitado por uma inflação que superou os 12.000.000% ao ano.

"Nossa prioridade é acabar com a devastadora escassez de alimentos", disse Tsvangirai, que especificou também que "o país precisa que os médicos retornem aos hospitais, os professores às escolas e que a população tenha acesso à água potável, à eletricidade e possa retirar seu dinheiro dos bancos".

Tsvangirai advertiu que "o caminho a seguir será longo e difícil", embora tenha se mostrado otimista que o "Zimbábue irá para frente com a ajuda da comunidade internacional".

"Nossos negócios florescerão novamente. Um novo Zimbábue se construirá rapidamente com o apoio da comunidade internacional", afirmou Tsvangirai, cuja presença no Governo é vista como o fator-chave para conseguir o apoio financeiro do Ocidente.

A União Européia (UE), que aplicou sanções ao Zimbábue pela falta de democracia e violação dos direitos humanos, anunciou hoje que só reconsiderará retirar as medidas quando tiver início o Governo compartilhado entre a Zanu-PF e o MDC.

Por sua vez, Mugabe deixou claro que, apesar do acordo conseguido com Tsvangirai, não deixará de denunciar os países ocidentais, especialmente o Reino Unido e os Estados Unidos, aos quais acusou de dar apoio à oposição para obrigá-lo a abandonar o poder.

"Os problemas africanos devem ser resolvidos pelos africanos. A situação (de crise) que tínhamos foi criada pelas antigas potências coloniais", disse Mugabe.

Mugabe, no poder desde a independência do Zimbábue do Reino Unido, em 1980, foi reeleito presidente em junho passado no segundo turno de eleiçõesem que participou sozinho, depois que Tsvangirai retirou sua candidatura alegando ameça dos governistas.

A oposição zimbabuana e a comunidade internacional rejeitaram o resultado e a União Africana (UA) exigiu então que a governamental Zanu-PF, de Mugabe, e o MDC, de Tsvangirai, negociassem a formação de um Executivo de unidade. EFE sk/ab/rr

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