Governo e oposição anunciam acordo sob olhar de seguidores de Morales

La Paz, 20 out (EFE) - O Governo e a oposição anunciaram hoje um acordo político na Bolívia que coincidiu com a chegada de dezenas de milhares de seguidores do presidente Evo Morales a La Paz para exigir do Congresso Nacional o referendo constitucional.

EFE |

Liderados pelo próprio Morales, os ativistas se instalaram após as 15h (17h em Brasília) na Praça Murillo, o coração de La Paz, onde ficam o Congresso boliviano e o Palácio do Governo.

Minutos antes da chegada da manifestação pela Refundação Constitucional ao centro da cidade, senadores governistas e opositores haviam antecipado que já há um acordo para poder convocar o referendo sobre a Carta Magna.

Reunidos em uma lotada Praça Murillo e apoiados por apresentações musicais e discursos de dirigentes camponeses, sindicais e indígenas, os manifestantes esperam que o Congresso Nacional inicie a sessão plenária correspondente para ratificar esse consenso.

A manifestação, qualificada por alguns como "histórica", chegou à capital política da Bolívia após percorrer quase 200 quilômetros pelo Planalto andino durante sete dias desde que os ativistas saíram da localidade de Caracollo, com Morales à frente nos primeiros quilômetros.

A chegada em massa de manifestantes a La Paz levou as autoridades educativas a suspender as aulas na cidade e na vizinha El Alto e as instituições públicas a decretar dia de trabalho contínuo.

O ato governista, criticado pela oposição, que o qualificou de "assédio" ao Congresso Nacional, ocorre até agora de forma pacífica e sem incidentes.

No entanto, antes de chegar ao centro da cidade, vários líderes sindicais ameaçaram fechar o Congresso Nacional se seus legisladores não aprovassem hoje a convocação do referendo constitucional.

Se o acordo anunciado pelos senadores Félix Rojas, do governista Movimento ao Socialismo (MAS), e Luis Vázquez, da conservadora aliança Poder Democrático e Social (Podemos) for concretizado, o referendo constitucional será realizado no início do ano que vem e as eleições gerais serão antecipadas a dezembro de 2009.

Com esse consenso, também ficaria resolvido um dos principais obstáculos que marcaram a negociação parlamentar nas últimas horas: a reeleição presidencial.

Para tornar possível o referendo constitucional, o presidente Morales se comprometeu a se apresentar a eleições gerais apenas mais uma vez, e não outras duas, como a oposição temia.

Mas, além disso, o acordo contempla modificações ao texto constitucional aprovado em dezembro pela Assembléia Constituinte em assuntos como a descentralização autônoma, as reformas agrária e judicial ou a política sobre recursos naturais.

Este acordo permitiria ainda pacificar o país após a onda de violência vivida em setembro e que já deixou 18 mortos em Pando, no norte do país, departamento que se encontra em estado de sítio.

A conflituosa situação abriu caminho a dois processos de diálogo político consecutivos na Bolívia, o primeiro deles entre o Governo e os governadores opositores autonomistas, que terminou sem acordos.

O segundo cenário de diálogo se abriu no Congresso Nacional com uma comissão integrada pelos quatro partidos com representação parlamentar.

Estas mesas de diálogo foram observadas por vários organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), a ONU e a União de Nações Sul-americanas (Unasul), cujos representantes ainda se encontram no país à espera de que se resolva a complexa crise boliviana. EFE sam/db

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