Governo e Exército turco alcançam acordo para remodelar cúpula militar

Militares haviam renunciado em protesto a prisões de oficiais acusados de golpe contra governo do premiê Recep Tayyip Erdogan

iG São Paulo |

O governo turco do premiê Recep Tayyip Erdogan e o Exército alcançaram nesta quinta-feira um acordo para remodelar a cúpula militar, depois de militares deixarem seus cargos na sexta-feira em protesto à prisão provisória de oficiais acusados de golpe.

AFP
Oficiais acusados de planejar um golpe para derrubar o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan (foto de arquivo)
Depois de quatro dias de reuniões do Conselho Militar Supremo (YAS), que examina anualmente a evolução das carreiras no Exército turco, o porta-voz da presidência, Ahmet Sever, anunciou a designação do general Hayri Kivrikoglu, ex-comandante do Primeiro Exército, como chefe do Exército. O almirante Emin Murat Bilgel, o general Mehmet Erten e o general Bekir Kalyoncu estarão no comando da Marinha, Aeronáutica e da Polícia, respectivamente.

"A respeito da nomeação do chefe do Estado-Maior, esperamos uma decisão do Conselho de Ministros, mas é evidente que não há nenhum problema", afirmou o porta-voz da presidência, que deu a entender que o general Necdet Özel, nomeado comandante do Estado-Maior interino após a saída do general Isik Kosaner, será ratificado no cargo.

Divergências

Kosaner e os generais que comandavam o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, pediram demissão conjunta na sexta-feira passada por uma divergência com o governo sobre a possibilidade de promoção de militares detidos por suposta conspiração contra o regime.

A reunião entre governo e militares, que se prolongava desde segunda-feira, foi tensa por causa das desavenças entre as classes civil e militar. De acordo com a imprensa turca, o pacto prevê que 14 generais presos, acusados por um suposto complô golpista, mantenham sua categoria por mais um ano sem a promoção que pediam os militares, e sem que sejam enviados à reserva, como reivindicava o primeiro-ministro e o presidente turco, Abdullah Gül.

Atualmente, 42 generais e dezenas de oficiais estão detidos por supostas conspirações destinadas a derrubar o governo islamista moderado do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002.

*Com EFE e AFP

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