Governo e estudantes dialogam no Chile apesar de novos protestos

Manifestação que reuniu cerca de 90 mil participantes em Santiago terminou em confrontos com a polícia

iG São Paulo |

O governo e os estudantes chilenos iniciaram nesta quinta-feira um diálogo que, após cinco meses de mobilização, busca resolver as demandas de uma educação de qualidade gratuita. A mesa de negociação teve início no mesmo dia em que um novo protesto marcado por confrontos foi realizado em Santiago.

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Estudantes se reuniram em Santiago para realizar novos protestos

Representantes dos estudantes universitários e secundaristas, bem como de professores, chegaram ao Ministério da Educação, onde iniciaram uma reunião com o ministro Felipe Bulnes para tentar aproximar posições diante do prolongado conflito estudantil.

Os estudantes disseram que iriam expor sua intenção de manter as mobilizações , enquanto correrem as negociações, e exigiriam ao governo que torne transparente a parte da educação incluída no orçamento público que está sendo elaborado para 2012.

"A esperança que acalentamos é que o governo entre em sintonia com o que o mundo social está demandando", disse Jaime Gajardo, presidente do Colégio dos Professores.

O ministro Bulnes afirmou que pedirá aos estudantes que voltem às aulas, suspensas há quase cinco meses devido à ocupação de escolas e universidades pelos jovens desde o começo do conflito, em maio passado.

A reunião ocorreu depois de uma maciça marcha estudantil com milhares de universitários, secundaristas e professores, começou na metade da manhã em frente à Universidade de Santiago, no centro da capital chilena. De acordo com organizadores, 90 mil estudantes participaram do protesto. Até o momento, a polícia não tinha uma estimativa.

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Alguns manifestantes mascarados atiraram paus e tinta contra a polícia

O protesto teve um início pacífico, mas uma confusão fez com que alguns participantes saíssem da rua para a qual a manifestação tinha sido autorizada, o que resultou em uma ação da polícia, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar os presentes.

De acordo com os líderes estudantis, entre os manifestantes, estavam centenas de encapuzados que lançaram paus, pedras e tinta contra os oficiais, além de armarem barricadas e destruírem bens públicos, o que teria dado origem a um violento confronto com a polícia, que pôs fim à manifestação.

Segundo imagens divulgadas pela TV chilena, as bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia caíram em casas e edifícios privados, causando alarme entre os moradores da região, onde os incidentes ocorreram.

Camila Vallejo, uma das emblemáticas líderes estudantis, queixou-se da ação policial, afirmando que é "o cúmulo" que sejam reprimidos. "Os policiais tinham que ter colaborado para controlar a manifestação, mas não reprimi-la. Se havia estudantes que achavam que a manifestação seguia por outro caminho, deviam tê-los guiado."

O protesto une-se a outros que desde maio alcançaram uma participação superior às 80.000 pessoas e que também terminaram em confrontos.

Os estudantes, apoiados por 89% da sociedade chilena, segundo as últimas pesquisas, pedem educação pública gratuita e de qualidade em um país com um sistema muito segregado, produto das reformas impostas pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Com AFP

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