Governo dos EUA desvincula libertação de jornalistas do diálogo nuclear

Washington, 5 ago (EFE).- O Governo dos Estados Unidos insistiu hoje em que as negociações para libertar as duas jornalistas americanas presas na Coreia do Norte ocorreram à margem de qualquer negociação sobre a desnuclearização do país asiático.

EFE |

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse se sentir "aliviada e agradecida" com o sucesso da viagem de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, a terras norte-coreanas para trazer as repórteres Laura Ling e Euna Lee de volta aos EUA.

Lee e Ling foram detidas em março acusadas de entrar ilegalmente na Coreia do Norte e de desenvolver atividades contra o país.

Falando do Quênia, onde está em viagem oficial, Hillary destacou que a libertação das jornalistas sempre foi "um assunto totalmente separado de nossos esforços para reintegrar os norte-coreanos nas conversas de seis lados e fazê-los trabalhar rumo a um compromisso para a completa desnuclearização da Península Coreana".

A chefe da diplomacia americana lembrou que o diálogo com o Governo de Kim Jong-il continua aberto para "discutir assuntos bilaterais no contexto regional. Essa ainda é a oferta".

"O futuro de nossas relações com os norte-coreanos depende realmente deles", sentenciou Hillary, que deu duas opções ao país comunista.

"Podem continuar em um caminho cheio de ações provocadoras que os isolem ainda mais da comunidade internacional ou podem decidir renovar suas discussões com seus companheiros das conversas de seis lados", disse.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, insistiu na satisfação do presidente americano, Barack Obama, após saber da libertação das repórteres.

Gibbs assegurou que Obama e Bill Clinton conversaram rapidamente por telefone depois do pouso do avião que trazia o ex-presidente de Pyongyang.

Assim como Hillary, o porta-voz da Casa Branca afirmou que a melhor maneira de mudar a relação entre EUA e Coreia do Norte é fazer com que os norte-coreanos decidam assumir responsabilidades e respeitar os acordos.

"Nosso objetivo é uma Península Coreana desnuclearizada", reiterou Gibbs.

O porta-voz não descartou que Obama possa vir a dar algum papel oficial a Clinton nas negociações com a Coreia do Norte, mas lembrou que a viagem ao país asiático não foi organizada pela Casa Branca.

"Foi uma missão privada. O avião não era do Governo e não foi pago pelo Governo", informou Gibbs.

Os EUA fazem parte do grupo negociador estabelecido em 2003 e formado também por China, Rússia, Japão e as duas Coreias com o objetivo de desnuclearizar a Península Coreana.

Ling, de 32 anos, e Lee, de 36, poderiam cumprir uma pena de 12 anos de trabalhos forçados, mas obtiveram ontem a anistia do líder norte-coreano Kim Jong-il após a visita surpresa do ex-presidente americano.

As jornalistas chegaram a Los Angeles hoje pouco antes das 10h de Brasília e foram recebidas por suas famílias. EFE fmx-mla/bba

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