Governo dos EUA deixa porta aberta a alternativa de cooperativas de saúde

Washington, 16 ago (EFE).- A secretária de Saúde dos Estados Unidos, Kathleen Sebelius, disse hoje que o Governo poderia aceitar as cooperativas de saúde como uma alternativa à opção pública do seguro médico, em sua reforma do sistema de saúde.

EFE |

Kathleen disse no programa "State of the Union", da cadeia "CNN", que a opção de um seguro de saúde público que o Governo quer incluir na reforma, que prevê aprovar este ano, "não é o elemento essencial" do plano.

A ideia desta opção, intensamente impulsionada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, que considera que, assim, poderá ajudar aos 46 milhões de americanos que não têm seguro de saúde, provocou um controvertido e feroz debate na sociedade de seu país.

Além disso, alguns legisladores, especialmente republicanos, argumentam que um seguro público prejudicaria o setor privado.

Kathleen destacou que o Governo segue pensando que deve haver "opções e concorrência" no mercado dos seguros de saúde, mas sugeriu que a Casa Branca aceitaria também um modelo baseado em cooperativas de saúde sem fins lucrativos.

"Acho que haverá uma alternativa aos seguros privados. Essa é realmente a parte essencial da reforma. Não podemos deixar o novo mercado nas mãos do setor privado dos seguros de saúde (depois da aprovação do plano) e confiar que tudo será feito apropriadamente.

Precisamos de opções, um pouco de concorrência", disse.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, entrevistado ao mesmo tempo no programa "Face the Nation", da cadeia "CBS", evitou responder diretamente à pergunta sobre a opção pública ser um fator imprescindível para Obama na reforma.

"O presidente considera que a opção de um plano governamental é a melhor maneira de fomentar a concorrência", disse, embora tenha acrescentado que a Casa Branca está disposta a escutar as ideias do Comitê de Finanças do Senado.

"O fundo da questão é se as pessoas que buscam seguros de saúde no setor privado têm opções. Se conseguirmos isso, o presidente estará satisfeito", afirmou.

Em qualquer caso, as declarações de Kathleen, que deixam aberta a possibilidade de outra alternativa que não seja a do seguro público, foram interpretadas como um sinal de que o Governo procura um compromisso no Congresso, sobretudo com os republicanos, alguns dos quais se pronunciaram a favor das cooperativas.

De fato, o senador republicano pelo Arizona Richard Shelby afirmou no jornal "Fox News Sunday", da cadeia "Fox", que as cooperativas poderiam ser uma alternativa aceitável, porque significariam um "passo que afastaria" o Governo de tomar o controle do sistema de saúde.

O senador democrata pela Dakota do Norte Kent Conrad, presidente do Comitê do Senado, defendeu esta opção ao afirmar que funcionou em outros modelos empresariais.

Com base em sua proposta, as cooperativas receberiam fundos federais iniciais, mas depois operariam independentemente do Governo e teriam que ter as mesmas reservas financeiras que as companhias privadas, para poderem atender custos inesperados.

Obama avaliou hoje, em um editorial do jornal "The New York Times", o "prolongado e vigoroso" debate em torno da reforma, mas pediu que seja feito de maneira civilizada.

Obama disse que, nas próximas semanas, "os cínicos e os opositores ao plano seguirão explorando o medo e as preocupações dos cidadãos, para tirar vantagem política", mas também se mostrou confiante que o Congresso e o Governo alcancem um consenso e possam aprovar a reforma. EFE cai/pd

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