Governo dos EUA confirma ter desistido de escudo antimísseis na Europa

O Pentágono confirmou, na tarde desta quinta-feira, que o governo dos Estados Unidos vai abandonar seus planos de construir um sistema de defesa antimísseis na Polônia e na República Checa. Um porta-voz explicou que a decisão foi resultado de uma reavaliação, por parte dos serviços de inteligência, dos planos do Irã de desenvolver mísseis.

BBC Brasil |

De acordo com o Pentágono, atualmente o Irã estaria se dedicando a fabricar mísseis de curto alcance, modificando suas próprias prioridades.

A notícia havia sido dada inicialmente pelo jornal americano The Wall Street Journal e pelo diário britânico Financial Times, e foi logo depois confirmada por autoridades checas e polonesas.

Rússia
Em agosto de 2008, ainda sob o governo de George W. Bush, os Estados Unidos assinaram um acordo com o governo polonês para instalar um sistema de defesa antimísseis no Mar Báltico e outro acordo para construir uma estação de radar na República Checa.

A expectativa era de que o sistema estivesse em operação até 2012. A Casa Branca alegava que o escudo era necessário para proteger aliados europeus e forças americanas na Europa da ameaça iraniana ou de outros países.

Mas a Rússia via o plano de defesa americano como uma ameaça direta, apesar das promessas americanas de que o sistema seria voltado apenas para Estados que considera rebeldes, como o Irã.

Nesta quinta-feira, o embaixador russo na ONU, Dmitry Rogozin, disse à BBC que a decisão do governo de Barack Obama de abandonar os planos são positivas para as relações entre os dois países.

Segundo ele, o anúncio removeu um problema "pequeno" que estava impedindo que os Estados Unidos e a Rússia pudessem "realmente trabalhar juntos".

O Irã afirma que seu programa de desenvolvimento de mísseis é apenas para fins científicos, de vigilância e defesa, mas tanto o Ocidente como alguns países vizinhos temem que os foguetes possam ser usados para transportar ogivas nucleares.

No próximo dia 1º de outubro, o Irã voltará a discutir seu programa nuclear com a Grã-Bretanha, China, França, Rússia e Estados Unidos - os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - e a Alemanha.

Segundo o Wall Street Journal, o governo Obama "deve deixar aberta a possibilidade de reiniciar a introdução do sistema de defesa na Polônia e República Checa se o Irã avançar em seu programa de mísseis de longo alcance no futuro".

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