Governo dos EUA apresenta provas da ajuda de Pyongyang à usina nuclear síria

Washington, 24 abr (EFE).- A CIA (agência central de inteligência americana) apresentou nesta quinta ao Congresso uma série de provas, que segundo o Governo americano, demonstram que a Síria construía um reator nuclear com a ajuda da Coréia do Norte.

EFE |

A apresentação dessas provas foi muito criticada pelos congressistas, para quem elas chegaram "tarde demais", oito meses após Israel bombardear a central síria.

Funcionários do serviço de inteligência dos EUA qualificaram as provas apresentadas a membros do Congresso como "extremamente convincentes".

Os deputados, por sua vez, não analisaram publicamente seu conteúdo, mas transmitiram seu mal-estar com a demora do Governo em lhes comunicar sobre um tema tão delicado.

A Casa Branca informou que o presidente George W. Bush deve divulgar ao longo do dia uma declaração oficial sobre a audiência no Congresso americano.

A grande pergunta que os deputados se fazem hoje é por que o Governo manteve em segredo, durante tanto tempo, uma informação tão delicada e omitiu-se da sua obrigação legal de informar "plena e continuamente" ao Congresso dos seus assuntos.

O democrata Silvestre Reyes, presidente do Comissão de Inteligência da Câmara de Representantes, disse que o desafio dos deputados é superar "véu de sigilo" do Governo, que obstrui seu trabalho e suas responsabilidades.

O republicano Peter Hoekstra foi mais incisivo e afirmou que apenas hoje todos os membro do comitê foram comunicados, apesar dele e Reyes terem conhecimento "há muito tempo" da informação que tinha o Governo.

Hoekstra também disse que os congressistas foram "usados" pelo Governo e previu que o Executivo vai ter dificuldade para conseguir autorizações do Congresso em eventuais acordos com a Coréia do Norte por seu programa nuclear.

A Casa Branca repudiou as palavras do deputado na única reação à apresentação das provas.

No entanto, a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, assegurou que o Governo notificou 22 deputados acerca das provas em cumprimento do seu dever de informar ao Congresso deste assunto.

Além disso, deu a entender que os países envolvidos nas conversas para encerrar o programa nuclear norte-coreano já tinham sido informados, ao indicar que as provas apresentadas hoje "não seriam novidade para eles".

Além dos EUA, as duas Coréias, Rússia, Japão e China participam dessas conversas.

Até o momento, não está claro como o conteúdo das reuniões de hoje vão afetar o andar das negociações.

O diretor da CIA, Michael Hayden, informou às comissões de Inteligência, da Forças Armadas e de Assuntos Exteriores da Câmara e do Senado sobre supostas provas sobre a existência do reator nuclear, que foi bombardeado por aviões israelenses em 6 de setembro do ano passado, aparentemente com o apoio dos EUA.

Segundo o Governo americano, o projeto da usina previa a produção de uma pequena quantidade de plutônio, que seria usado em armas nucleares.

Um vídeo mostraria, segundo a imprensa local, que a instalação síria tinha o mesmo desenho da central norte-coreana de Yongbyon.

Além disso, técnicos da Coréia do Norte seriam vistos nas imagens.

A revelação sobre o suposto papel de Pyongyang na construção de uma usina nuclear na Síria foi feita no momento em que os EUA se preparam para suavizar as sanções contra a Coréia do Norte.

Para isso, o Governo americano exige um relatório detalhado do desenvolvimento do programa nuclear norte-coreano até a desativação da última usina nuclear que ainda funcionava, em Yongbyon, no ano passado. EFE cai/plc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG