Governo do Zimbábue retira proibições às ONGs de atuarem no país

Harare, 29 ago (EFE).- O Governo do Zimbábue retirou hoje a proibição às organizações de ajuda humanitária de atuarem no país, em vigor desde antes do segundo turno das eleições presidenciais de 27 de junho, segundo uma nota do Ministério do Trabalho, Desenvolvimento e Bem-Estar Social divulgada pela televisão oficial.

EFE |

De acordo com o comunicado, a medida é de "efeito imediato" para as ONGs que trabalham no país, que enfrenta uma crise política e econômica, com o desabastecimento de mercadorias básicas, uma taxa de desemprego de 80% e a maior inflação do mundo, que supera os 11.000.000%.

Segundo o texto, as organizações que oferecem ajuda humanitária e alimentícia, reconstrução e desenvolvimento, saúde infantil, ajuda aos incapacitados e a doentes de aids, entre outros serviços sanitários estão autorizadas a retomar seus trabalhos no país.

O ministro do trabalho, desenvolvimento e bem-estar social, Nicholas Goche, disse à Agência Efe por telefone que a medida se baseia em "motivos humanitários" e ajudará "os zimbabuanos que necessitam de alimentos".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tinha pedido às autoridades de Harare e ao presidente, Robert Mugabe, que retirassem a suspensão às organizações humanitárias, banidas pelo Governo por considerar que elas colaboravam com a oposição.

Segundo disse há três semanas a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), cerca de cinco milhões de zimbabuanos terão sérios problemas para conseguir alimentos em 2009, o que representa mais de 40% da população.

Hoje mesmo, as negociações entre o Governo e a oposição do Zimbábue para formar um Gabinete de união nacional foram retomadas na África do Sul, informou o ministro sul-africano da Presidência, Essop Pahad.

As negociações entre a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF, governo), o partido do presidente Robert Mugabe, e o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), cuja facção majoritária é liderada por Morgan Tsvangirai e a minoritária por Arthur Mutambara, começou no final de julho.

Nestas conversas, Tsvangirai expôs seu desejo de ocupar o cargo de primeiro-ministro, com poderes executivos, e deixar a Chefia do Estado e das Forças Armadas com o presidente Mugabe, que resiste e afirma querer compartilhar também o Executivo.

Tsvangirai derrotou Mugabe nas eleições presidenciais realizadas em 29 de março, mas por não ter obtido maioria absoluta dos votos, foi realizado um segundo turno, em 27 de junho.

No entanto, uma semana antes da realização do mesmo, Tsvangirai se retirou das eleições por causa de ataques contra seus partidários por milícias fiéis a Mugabe, que obteve mais de 80% dos votos. EFE sk/ab/ma

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