Governo do Sudão declara cessar-fogo em Darfur

O presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, anunciou um cessar-fogo imediato e incondicional na região de Darfur. Ele disse que o governo começará a desarmar milícias e a restringir o uso de armas pelo Exército.

BBC Brasil |

Grupos rebeldes que combatem na região, entretanto, não participaram das negociações e não concordaram com o cessar-fogo.

Tréguas similares anunciadas em ocasiões anteriores obtiveram pouco resultado.

Bashir está sob forte pressão desde que o Tribunal Penal Internacional recebeu um pedido para ordenar sua prisão, em julho. Ele é acusado de genocídio e responsabilizado por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos em Darfur.

Segundo a correspondente da BBC no Sudão Amber Henshaw, Bashir fez o anúncio do cessar-fogo depois de ouvir as recomendações finais da Iniciativa do Povo do Sudão, um plano que conta o apoio do governo para o processo de paz em Darfur.

"Anunciamos nossa aprovação de um cessar-fogo imediato e incondicional entre as Forças Armadas e os movimentos armados, desde que seja implantado um sistema de monitoramento eficaz, composto de todos os interessados e das tropas das Nações Unidas e da União Africana", afirmou Bashir nesta quarta-feira.

"Esta medida vai começar especificando as posições dos interessados, as medidas de monitoramento relevantes, medidas administrativas e a segurança para os comboios de ajuda", acrescentou.

Um observador internacional afirmou à correspondente da BBC que esta é, em parte, uma tentativa do governo sudanês de pressionar os grupos rebeldes para assinarem o acordo de paz de 2006, que foi rejeitado pela maioria dos rebeldes.

Também se espera que o anúncio pressione a comunidade internacional para estabelecer uma força de monitoramento em Darfur, que não existe no momento.

O plano Iniciativa do Povo do Sudão foi criticado por não ter incluído nenhum dos grupos rebeldes de Darfur.

Mas o governo espera que este plano convença a comunidade internacional a adiar o caso contra o presidente, de acordo com Amber Henshaw.

Em entrevista à BBC, antes do anúncio do cessar-fogo, o ministro do Exterior sudanês Deng Alor afirmou que um cessar-fogo não viria como uma resposta direta ao Tribunal Penal Internacional, mas poderá influenciá-lo.

"Se conseguirmos um plano de paz claro para Darfur, então acredito que teremos a autoridade moral para pedir... se eles poderiam adiar a decisão do TPI", afirmou.

Um diplomata ocidental afirmou à correspondente da BBC que o cessar-fogo é um passo na direção correta, mas precisa de mais mudanças.

Bashir é acusado de mobilizar milícias árabes pró-governo para perseguir e massacrar civis africanos em Darfur desde 2003.

A ONU estima que cerca de 300 mil pessoas tenham morrido e mais de 2,5 milhões tenham sido obrigadas a abandonar suas casas desde o início do conflito em Darfur.

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