Governo do Sudão assina acordo com rebeldes de Darfur

O governo do Sudão e o Movimento de Justiça e Igualdade (o grupo rebelde mais ativo da região de Darfur, no oeste do país) assinaram nesta terça-feira em Doha, no Catar, um acordo que abre caminho para negociações mais amplas para o fim de um conflito que já dura seis anos e, segundo estimativas das Nações Unidas (ONU), matou 300 mil pessoas. O emissário sudanês à ONU em Nova York, Abdalmahmood Abdalhaleem Mohamad, disse à BBC que o acordo seria um progresso notável.

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"Ele também aborda questões como a segurança de deslocados (refugiados dentro do próprio país) e civis, e sobre isso haverá uma retomada de discussões detalhadas dentro de duas semanas", disse o representante do governo do Sudão.

Um porta-voz do Movimento de Justiça e Igualdade em Londres, Haroun Abdul Hami, disse à BBC que "o ponto mais importante é acabar com a intimidação do nosso povo nos acampamentos (...) e (o governo) não deve impedir a (entrega) de ajuda humanitária ao nosso povo".

Há notícia de que o acordo no Catar prevê o fim da violência nos campos de refugiados que abrigam mais de 2 milhões de pessoas em Darfur, garantias para a distribuição segura de ajuda humanitária e uma troca de prisioneiros.

Este é o primeiro sinal de progresso nas negociações entre governo e grupos rebeldes desde o fracasso de uma iniciativa de paz em 2006.

O acordo foi fechado depois de vários dias de conversações no Catar. A iniciativa vem antes da decisão do Tribunal Penal Internacional sobre uma eventual emissão de um mandado de prisão contra o presidente sudanês, Omar Al-Bashir, por supostos crimes de guerra em Darfur. Uma decisão sobre Bashir deve ser anunciada na semana que vem.

O especialista da BBC para assuntos africanos Martin Plaut, disse que, ao fechar o acordo agora, o governo sudanês está procurando sensibilizar a comunidade internacional, em particular o novo governo dos Estados Unidos, na esperança de evitar o indiciamento de Bashir.

Plaut destaca, contudo, que é necessário fazer mais para conseguir a paz em Darfur, e que outros grupos rebeldes terão que se unir ao processo. Estes grupos, entretanto, estão se recusando a dialogar com o governo.

Os combates no Sudão começaram depois que grupos africanos se queixaram de discriminação por parte do governo dominado por sudaneses de origem árabe se rebelaram.

O governo sudanês, de origem árabe, admite ter mobilizado "milícias defensivas" em resposta à ação dos rebeldes, embora negue ligações com a milícia Janjaweed, acusada de tentar dizimar os sudaneses de etnias negras africanas de vastas áreas do país.

A força de paz conjunta ONU-União Africana, Unamid, em ação no Sudão, tem apenas 26 mil integrantes - a metade do previsto um ano depois que a ONU assumiu o controle da missão.

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