Governo do México mostra avanços na luta contra onda de violência

México, 28 nov (EFE).- O Executivo do México, os governadores dos 32 estados do país e membros do Judiciário e do Legislativo apresentaram hoje os últimos progressos na área de segurança, em meio à indignação popular pela onda de violência, que só neste ano deixou cinco mil mortos, quase o dobro em relação a 2007.

EFE |

Os resultados foram apresentados nesta sexta-feira na capital mexicana durante a 25ª Reunião do Conselho Nacional de Segurança Pública.

O encontro marcou um dos prazos estipulados pelas autoridades para cumprir uma série de compromissos estipulados há 100 dias em uma cúpula prévia, rodeada também de duras exigências sociais e que precedeu a uma passeata de dezenas de milhares de pessoas na capital do país.

A redução dos seqüestros em 18% e dos homicídios em 6,9% foram uns dos dados oficiais que sobressaíram no encontro, que teve a presença de alguns representantes da sociedade civil.

Fora isso, nesse período, as autoridades conseguiram desarticular 53 grupos de seqüestradores e libertar 184 reféns.

Apesar desses progressos, o presidente do México, Felipe Calderón, que encerrou a reunião, reconheceu que ainda há muito a ser feito. Segundo ele, seu Governo é consciente do "desespero de muitos mexicanos que foram vítimas da violência no país e que não encontram respostas" das autoridades.

A sociedade civil, com um forte empurrão da imprensa e dos empresários, questiona, sobretudo, a atuação dos policiais, em meio a denúncias cada vez mais graves de corrupção.

O próprio Calderón admitiu, na quinta-feira, que 49% dos 56 mil agentes policiais avaliados este ano não são "recomendáveis" para seu trabalho, poucos dias depois que fossem detidos um ex-chefe antidrogas e o responsável da Interpol México, por seu suposto envolvimento com o narcotráfico.

Imediatamente depois da reunião desta sexta-feira, o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Distrito Federal (CDHDF), Emilio Álvarez Icaza, assegurou que as melhoras nos sistemas de segurança e justiça foram "mínimas e superficiais".

"Não só as coisas não melhoraram, mas pioraram", disse a presidente do Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal, José Antonio Ortega.

Em comunicado, Ortega apresentou uma lista de 22 pessoas que foram assassinadas neste tempo por seus seqüestradores, número que corroborou o relatório das autoridades.

Calderón pediu hoje ao poder Legislativo que aprove as reformas em matéria de segurança e Justiça apresentadas pelo Executivo para "para fazer mais transparente a atuação das autoridades judiciais e melhorar a capacidade de atuação dos corpos policiais".

"Sabemos que os desafios são muitos e o caminho é longo e difícil, mas não podemos e não devemos claudicar para que o México viva à sombra do medo e da delinqüência", frisou.

Segundo o chefe de Estado, nos últimos 100 dias foram detidos grandes chefes dos cartéis de drogas, como Eduardo Arellano Félix, e confiscadas 700 toneladas de maconha.

Também aconteceu o maior confisco de arsenal na história do país, composto por 500 mil cartuchos de diversos calibres, 278 armas de longo alcance, 126 de curto alcance e cerca de 300 granadas.

Nesta sexta-feira, o jornal "Milenio" apresentou uma estatística que diz que 64,5% dos mexicanos estimam que a situação atual em matéria de segurança é pior que a do ano passado, e 55,1% esperam que em 2009 as coisas piorem mais.

Em sua enquete mais recente, de 2007, o Instituto Cidadão de Estudos sobre a Insegurança sustenta que 60% dos mexicanos se sentem inseguros em seu país e que os estados mais perigosos são os de Chihuahua, Baixa Califórnia e Tamaulipas, todos no norte, e de Michoacán, no oeste.

Chihuahua, onde se encontra Ciudad Juárez, famosa pela matança de mulheres, monopoliza cerca de um terço dos cinco mil assassinatos registrados este ano, e em Baixa Califórnia se encontra Tijuana, uma das cidades mais violentas do país.

Em Michoacán aconteceu, em 15 de setembro, o primeiro atentado do crime organizado contra a população civil, que deixou oito mortos e dezenas de feridos. O crime aconteceu dentro do prazo estipulado para frear a escalada violenta que o país enfrenta. EFE ea/rr

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