Líderes do governo do Líbano e da oposição liderada pelo Hezbollah iniciaram uma reunião em Doha, no Catar, para encerrar a crise que levou o país à beira de uma guerra civil. As negociações em Doha visam chegar a um acordo a respeito da indicação do presidente do Líbano, um cargo que não é ocupado desde novembro de 2007, a composição de governo de união nacional e novas leis eleitorais para 2009.

A delegação da Liga Árabe anunciou na quinta-feira que o acordo entre o governo libanês e a oposição.

Segundo o primeiro-ministro e ministro de Relações Exteriores do Catar, Hamad bin Jassim bin Jabr Al-Thani, que chefiava a delegação árabe, as duas facções concordaram em continuar o diálogo na capital do Catar, Doha.

"Na conferência de Doha, todos terão oportunidade de dar suas opiniões a respeito de todas as questões", disse Al-Thani, depois de dois dias de negociações de paz em Beirute.

Crise
O Líbano enfrenta uma crise política que se arrasta há 18 meses e está sem presidente desde novembro de 2007, quando Emile Lahoud, que é pró-Síria, deixou o cargo ao fim de seu mandato. Desde então, as duas facções políticas não conseguem eleger seu sucessor.

Após a divulgação do acordo, o Hezbollah anunciou que estava encerrando a desobediência civil, desbloqueando estradas e avenidas da capital Beirute e liberando o acesso ao aeroporto da capital libanesa.

A recente crise começou quando o governo aprovou duas medidas que previam uma investigação da rede de telecomunicações do Hezbollah e a exoneração do chefe de segurança do aeroporto de Beirute porque ele seria simpatizante do grupo xiita.

As medidas provocaram a ira do Hezbollah, que respondeu com protestos por Beirute e outros pontos do país e que logo enveredaram para a violência, em batalhas entre milícias pró e anti-governo, em que o grupo xiita (e seus aliados) derrotou as forças governistas, ocupando todo oeste de Beirute.

Combates pesados entre as duas facções na capital Beirute, em Trípoli, no norte, nas montanhas e em outras cidades do leste do país levaram vários estrangeiros e libaneses a deixarem o país.

A onda de violência, que durou seis dias, deixou ao menos 65 mortos e 200 feridos.

O governo do Líbano acabou voltando atrás na quarta-feira, revogando oficialmente as duas medidas contrárias ao Hezbollah como forma de abrir o caminho para negociações e acalmar a crise.

Os recentes conflitos nas ruas foram a pior crise no Líbano desde o final de sua sangrenta guerra civil (1975-1990).

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