Governo do Iraque firma acordo com clérigo Moqtada al-Sadr

Por Waleed Ibrahim e Khalid al-Ansary BAGDÁ (Reuters) - O governo do Iraque firmou neste sábado uma trégua com o movimento do clérigo xiita Moqtada al-Sadr para pôr fim a semanas de combates no leste de Bagdá entre uma milícia xiita e forças de segurança, disseram autoridades.

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A trégua pode pôr fim à violência que matou centenas de pessoas, deixou 2 milhões de moradores no empobrecido bairro de Cidade de Sadr em meio a uma zona de batalha e levou equipes de assistência a alertar para o risco de uma crise humanitária.

Mas não está claro qual o controle que o clérigo anti-EUA Al-Sadr, líder do Exército Mehdi, tem sobre muitos dos membros dessa milícia que alegam ser leais a ele em Cidade de Sadr, o reduto da organização.

'O primeiro-ministro Nuri al-Maliki aprovou o acordo', disse o porta-voz do governo, Ali al-Dabbagh. 'O governo iraquiano pede a todas as partes que se comprometam com este trato, que fiquem calmos e se contenham.'

Os militares dos Estados Unidos disseram não estar a par do acordo.

Um porta-voz de Sadr, Salah al-Ubaidi, disse à Reuters que foi feito um acordo entre o bloco do grupo de Sadr no Parlamento e a governista aliança xiita, chamada de Aliança Iraquiana Unida.

Ele disse esperar que o pacto entre em vigor neste sábado à noite ou no domingo, resultando na interrupção total da atividade militar dos iraquianos por quatro dias. Ele não mencionou os militares dos EUA.

'O principal objetivo do acordo é resolver a crise em Cidade Sadr', disse Ubaidi.

Grupos armados têm combatido as forças iraquianas e norte-americanas quase todas as noites na favela desde o fim de março, quando Maliki lançou uma operação de repressão contra as milícias. Os militantes também dispararam granadas de morteiros e foguetes contra a Zona Verde, área onde ficam os edifícios do governo e representações diplomáticas, na área central de Bagdá.

Ubaidi afirmou que depois dos quatro dias de cessar-fogo as forças iraquianas poderiam entrar em Cidade de Sadr e deter quem quisessem, desde que possuam um mandado de prisão. Ele disse que o acordo prevê entrega de ajuda aos moradores e reabertura de estradas.

Quando lhe perguntaram se os partidários de Sadr vão cumprir o acordo, Ubaidi respondeu: 'Espero que sim. Mas veja, o governo já fez promessas antes e não cumpriu essas promessas.

Isso pode ter um impacto sobre os combatentes'.

Ubaidi afirmou esperar que Sadr emita um comunicado ordenando a interrupção dos combates. Acredita-se que Sadr esteja no Irã tomando parte de estudos avançados em islamismo.

Ele não tem sido visto em público há um ano.

(Reportagem adicional de Tim Cocks e Wisam Mohammed)

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