O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, anunciou nesta quinta-feira um cessar-fogo com os rebeldes xiitas no norte do país. Segundo Saleh, a trégua teria início a meia-noite, horário local (19h de Brasília) Nós decidimos interromper as operações militares no noroeste a partir da meia-noite, disse o presidente.

Segundo a agência de notícias AFP, a notícia sobre o cessar-fogo foi divulgada em decreto presidencial transmitido pelo canal de televisão estatal.

Acordo
O anúncio vem depois de intensas negociações com os rebeldes, que teriam aceitado diversas condições impostas pelo governo, inclusive o fim os ataques contra a Arábia Saudita.

Os ataques ao país vizinho foram o ponto de discordância para que o governo rejeitasse, no último dia 31, a oferta de cessar-fogo oferecida na véspera pelos rebeldes.

No dia anterior, o líder dos rebeldes, Abdel Malek al Huthi reafirmou que aceitava os cinco pontos da proposta do governo para pôr fim ao conflito, mas com a condição de que o Exército deveria primeiramente encerrar o confronto.

A proposta de cinco pontos do governo para pôr fim ao conflito prevê que se respeite o cessar-fogo e a abertura das estradas, a evacuação dos prédios públicos ocupados e a restituição de equipamentos militares, assim como a libertação de civis e militares detidos.

A exigência sobre o fim da agressão contra a Arábia Saudita teria sido acrescentada à proposta pelo governo do Iêmen depois da intensificação do conflito com forças sauditas na região da fronteira.

Segundo o analista da BBC para o Oriente Médio David Bramford, muitos iemenitas questionarão quanto tempo a trégua oferecida pelo governo irá durar.

Confronto
Os rebeldes zaidistas, chamados de Houthi, se estabeleceram no distrito de Saada, no noroeste do país, e estão combatendo o governo desde 2004. Eles acusam as autoridades iemenitas de não reconhecerem sua identidade.

Segundo dados da Agência de Refugiados da ONU (Acnur), o confronto entre os rebeldes e o governo já causou o deslocamento de 250 mil pessoas nos últimos cinco anos.

Segundo muitos analistas, o Iêmen, país mais pobre do Oriente Médio, caminha rumo a se tornar um Estado falido.

Além da insurgência xiita, o governo combate a sunita Al Qaeda, piratas somalis em sua costa e lida com uma economia decadente, baseada em reservas cada vez menores de petróleo.

No ano passado, os EUA prometeram uma nova ajuda de US$ 120 milhões ao país.

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