Governo do Haiti montará barracas para 400 mil desabrigados

O governo do Haiti anunciou nesta quinta-feira que planeja levar para acampamentos fora de Porto Príncipe 400 mil sobreviventes do terremoto que atingiu na semana passada. O ministro do Interior haitiano, Paul Antoine Bien-Aime, disse que 100 mil pessoas seriam enviadas inicialmente para barracas em dez acampamentos perto do subúrbio de Croix Des Bouquets.

BBC Brasil |

O ministro não determinou um cronograma, mas acrescentou que as medidas devem começar a ser aplicadas o mais rápido possível.

Na quinta-feira, o ministro afirmou que já foram enviados ônibus para levar os sobreviventes de Porto Príncipe para o sul e o norte do país, para os acampamentos que ainda serão erguidos.

"O governo disponibilizou às pessoas o transporte gratuito. Uma grande operação está ocorrendo", disse o ministro a jornalistas.

Sem água
Cerca de 1,5 milhão de pessoas perderam suas casas devido ao tremor de magnitude 7 que atingiu o país no dia 12 de janeiro e pelo menos 500 mil pessoas estão vivendo em 447 acampamentos improvisados em Porto Príncipe, de acordo com dados da Organização Internacional para Imigração.

Mas, de um total de 350 desses acampamentos que foram avaliados pela organização, seus parceiros e o governo do Haiti, apenas três tem acesso à água potável.

A organização com base em Genebra informou que está distribuindo barracas, cobertores e coberturas de plástico fornecidos por Estados Unidos, Japão e Turquia, mas alertou que serão necessários abrigos mais permanentes.

"As barracas não vão ajudar em maio, quando começa a longa estação das chuvas e, depois, quando começa a época dos furacões, mas no momento não há muita escolha", afirmou o chefe de Missão da OIM, Vincent Houver.

"Avaliações precisam ser feitas, e os melhores métodos de construção e materiais duráveis precisam ser analisados", acrescentou.

Valas
O governo do Haiti informou que os corpos de pelo menos 75 mil pessoas já foram enterrados em valas coletivas.

O número total de mortos pode ser muito maior e chegar até aos 200 mil, disseram as autoridades.

Trabalhadores em uma encosta ao norte da capital, Porto Príncipe, usaram escavadeiras para abrir as trincheiras nas quais os cadáveres foram colocados sem cerimônia ou identificação.

Muitos outros corpos continuam nas ruas do país e, segundo correspondentes, o cheiro nos escombros de prédios e casas é muito forte.

Muitos dos que ficaram feridos mas sobreviveram ao terremoto agora lutam por atendimento médico e alimentos.

Médicos no Haiti alertaram que muitos pacientes têm ferimentos que, mais de uma semana depois do sismo, ainda estão sem tratamento.

O Programa de Alimentação das Nações Unidas insiste que a distribuição de alimentos está progredindo. Mas um correspondente da BBC em Porto Príncipe afirmou que muitos dos sobreviventes que estão vivendo nos grandes acampamentos em volta da capital ainda não receberam ajuda internacional.

Porto e aeroportos
Para tentar entregar quantidades maiores de ajuda, os militares americanos agora estão operando quatro aeroportos na região - em Porto Príncipe e Jacmel, no Haiti, e San Isidro e Barahona, na vizinha República Dominicana.

A Guarda Costeira dos Estados Unidos também reabriu parcialmente o principal porto da capital haitiana, o que deve acelerar a entrega de suprimentos.

Três cargueiros ancoraram na manhã desta quinta-feira, de acordo com as autoridades.

A maior parte do porto foi destruída pelo terremoto, mas os engenheiros decidiram que algumas partes de um pier ainda estavam fortes o bastante para lidar com quantidades limitadas de carga.

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