Governo decreta lei marcial em província filipina

A presidente das Filipinas, Gloria Arroyo, impôs neste sábado a lei marcial na província de Maguindanao, depois de um massacre que matou 57 pessoas. As autoridades também levaram o chefe do poderoso clã Ampatuan e vários outros membros da família - que é ligada à presidente - para serem interrogados sobre as mortes.

BBC Brasil |

Na sexta-feira, tropas invadiram o conglomerado da família, onde encontraram um arsenal enterrado.

Essa é a primeira vez que a lei marcial é usada nas Filipinas desde a queda do presidente Ferdinando Marcos, em 1986.

O porta-voz da presidência, Cerge Remonde, disse que Arroyo "deu esse sério passo em resposta aos pedidos de justiça para as vítimas do massacre de Maguindanao".

Clã rival
Segundo a correspondente da BBC Rachel Harvey essa é uma medida politicamente sensível de Arroyo.

O governo disse que tinha informações dos serviços de inteligência de que grupos armados leais ao clã Ampatuan - uma família que ajudou a garantir votos para Arroyo em eleições passadas - estavam planejando uma ofensiva armada.

Entre as vítimas do massacre estavam pelo menos 13 jornalistas e a mulher de um influente político local, Ismael Mangudadatu, que viajavam à capital, Manila, para formalizar a candidatura dele para as próximas eleições gerais.

Segundo testemunhas, elas estavam em um comboio quando foram detidas em uma emboscada realizada por homens armados.

Mangudadatu acusou o clã de estar por trás do massacre. "Tudo foi planejado porque eles já tinham cavado uma vala comum", afirmou.

Entre os membros do clã que foram detidos para interrogatório estão o chefe da família, Andal Ampatuan Sr, e um de seus filhos, Zaldy, que é governador da Região Autônoma em Mindanao Muçulmana, que inclui Maguindanao.

Candidatura
Analistas dizem que o clã tem dominado a província de Maguindanao há décadas.

Andal Ampatuan, foi membro do Congresso filipino e governador da província por vários mandatos, sem enfrentar oposição.

Seu filho estaria planejando se candidatar sem oposição para substituir o pai até que Mangudadatu decidiu também competir pelo posto.

Na terça-feira, o governo declarou estado de emergência em duas províncias da ilha de Mindanao para permitir que policiais realizassem uma busca pelos assassinos.

Segundo a organização internacional Repórteres sem Fronteiras, trata-se do maior massacre único de jornalistas já ocorrido.

A entidade de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch se disse preocupada com que o relacionamento próximo entre Arroyo e a família Ampatuan impeça uma investigação imparcial.

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