Governo de Uribe acerta violento golpe contra as Farc

Guillermo Tovar Bogotá, 2 jul (EFE).- O Governo colombiano desferiu hoje um dos mais duros golpes lançados contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ao resgatar a franco-colombiana Ingrid Betancourt e três americanos, os trunfos mais valiosos da guerrilha em uma eventual troca humanitária por rebeldes presos.

EFE |

Sem disparar um só tiro e com um plano simples, o Exército, depois de se infiltrar nas Farc, ainda conseguiu libertar 11 suboficiais da Polícia e das Forças Armadas do país.

Com a bem-sucedida operação, o presidente Álvaro Uribe convenceu muitos céticos e detratores da eficácia de sua política de "segurança democrática". Além disso, desnorteou a guerrilha, que agora terá de rever sua estratégia.

"Mais uma vez, fazemos um chamado aos novos líderes das Farc para que deponham as armas, para que não se façam matar nem sacrifiquem seus homens, para que se desmobilizem", destacou o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, ao comentar o feito do Executivo.

As Farc receberam outros fortes golpes este ano, um deles em março, quando seu "número dois", Luis Edgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes", morreu em um bombardeio em solo equatoriano no qual outras 25 pessoas perderam a vida.

Também em março, morreu, aparentemente de causas naturais, o fundador do grupo rebelde, o lendário Pedro Antonio Marín, conhecido como "Manuel Marulanda" ou "Tirofijo".

O drama de Betancourt no cativeiro despertou o interesse do mundo pelas reféns das Farc, que pretendiam trocar dezenas deles por cerca de 500 rebeldes presos.

Outra moeda de troca da guerrilha eram os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, que as Farc queriam que fossem trocados pelos guerrilheiros "Simón Trinidad" e "Sonia", extraditados para os EUA há mais de dois anos por narcotráfico.

O caso de Betancourt fez a ex-candidata à Presidência ganhar tanta projeção que milhares de cidades da Europa a declararam cidadã honorária e ela ainda teve seu nome indicado aos prêmios Nobel, Príncipe de Astúrias e Sakharov.

Além disso, sua libertação foi assunto de Estado durante o mandato do ex-presidente francês Jacques Chirac e virou prioridade na agenda do atual chefe de Estado da França, Nicolas Sarkozy.

"Isto foi um xeque-mate nas Farc", declarou o general Mario Montoya, comandante do Exército, em referência à operação colombiana, batizada de "Xeque" e que foi "limpa", em linguagem tática, já que não houve vítimas nem tiros.

Segundo as autoridades colombianas, rebeldes da cúpula das Farc foram enganados por militares infiltrados e convencidos de que os reféns seriam levados para um encontro com "Alfonso Cano", o novo líder das Farc e sucessor de "Tirofijo".

Mas tudo não passou de um ardil cinematográfico: depois que os reféns e dois guerrilheiros subiram em um helicóptero militar, pintado de vermelho e branco, os militares se identificaram e os 15 seqüestrados souberam que seu pesadelo havia chegado ao fim.

A política de Uribe foi elogiada até por Yolanda Pulecio, mãe de Betancourt e que sempre se opôs a um resgate por temer um desenlace fatal em uma operação do tipo.

A própria Betancourt foi só elogios a Uribe, que nunca renunciou à possibilidade do resgate, nem nos piores momentos, mesmo sob uma enxurrada de críticas.

"Eu quero expressar ao presidente Uribe meu reconhecimento e, claro, a meu amigo Juan Manuel Santos, ministro da Defesa, porque, se eles não tivessem se arriscado, nós não estaríamos livres e quem sabe quantos anos a mais ficaríamos nesse calvário", declarou a ex-refém.

As Farc têm agora em seu poder 25 reféns de cerca de 60 que um dia integraram o chamado grupo de "passíveis de troca". E, segundo o Governo, militares e analistas, os rebeldes não têm mais alternativa, a não ser libertar os restantes, dados os golpes recebidos ultimamente e a pressão da comunidade internacional. EFE gta/sc

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