Governo de união do Zimbábue toma posse enfrentando primeira crise

Harare, 13 fev (EFE).- O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, deu posse hoje aos integrantes do gabinete no Governo de união nacional liderado pelo novo primeiro-ministro do país, Morgan Tsvangirai, mas acrescentou cinco pastas às 31 previstas originalmente.

EFE |

No juramento, que aconteceu com cinco horas de atraso no Palácio Presidencial, tomaram posse 18 ministros da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), de Mugabe; 14 do partido majoritário do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), de Tsvangirai; e 4 da ala minoritária liderada por Arthur Mutambara.

Conforme um acordo alcançado em 15 de setembro com a mediação da Cúpula da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), a Zanu-PF teria 15 pastas, o MDC, 13, e o partido de Mutambara, 3.

O novo ministro da Educação, David Coltart (do MDC de Mutambara), informou que os três ministros extras da Zanu-PF nomeados por Mugabe não possuem pasta e, provavelmente, desempenharão funções no escritório da Presidência.

Outros funcionários do MDC afirmaram que, antes da posse do Gabinete, gerou-se "um caos" quando Tsvangirai soube que Mugabe nomearia ministros extras.

Uma autoridade do partido de oposição disse que o novo premiê insistiu em que as partes deviam respeitar o Acordo Político Global de 15 de setembro de 2008, referendado na cúpula extraordinária da SADC realizada em 26 de janeiro em Pretória.

Por sua parte, o porta-voz oficial do MDC, Nelson Chamisa, que ocupa o Ministério de Informação, Ciência e Tecnologia, recentemente criado, qualificou os eventos do dia de "um circo".

No fim, tanto Tsvangirai quanto Mugabe foram forçados a aceitar uma solução de compromisso com ministros extras pelas duas partes.

Apesar disso, o Governo de união pode estar enfrentando sua primeira crise antes mesmo de assumir suas funções, já que o presidente tinha convocado 23 membros da Zanu-PF para tomar posse como ministros, 8 a mais do que teria direito segundo os acordos supervisados pela SADC.

No novo Governo, Mugabe incluiu membros da linha dura da Zanu-PF, a maioria deles integrantes de seu último Gabinete, que ele mesmo qualificou no ano passado de "o pior" que havia tido desde que assumiu o poder com a independência do Zimbábue, em 1980.

Funcionários da SADC, incluindo o líder de turno do organismo, o presidente sul-africano, Kgalema Motlanthe, presenciaram a cerimônia de juramento realizada na residência oficial de Mugabe em meio a um rígido esquema de segurança da Polícia e da guarda presidencial em uniformes de combate e armados com fuzis.

Em discurso de felicitação ao novo Governo zimbabuano, Motlanthe reiterou um apelo do grupo regional para que os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Europeia "levantem imediatamente as sanções contra o Zimbábue para facilitar o fluxo de assistência econômica ao país".

A comunidade internacional mantém um embargo armamentista contra o Zimbábue e sanções pessoais a Mugabe, aos membros de seu anterior gabinete e a seus parentes, que incluem uma proibição de viagem e o congelamento de suas contas bancárias no exterior, devido à falta de democracia e à violação dos direitos humanos no país.

O novo Governo de união entrou interino dois dias depois que Tsvangirai, um ex-líder sindical, assumiu como primeiro-ministro, após uma década de inimizade com Mugabe.

Apesar de Tsvangirai e sua esposa, Susan, terem apertado as mãos tanto dos ministros do MDC quanto dos da Zanu-PF, a tensão era palpável entre o novo primeiro-ministro e o presidente, que faz 85 anos no dia 21.

"Foi um caminho muito duro, com muitos confrontos", afirmou Nicholas Goche, ex-ministro do Trabalho da Zanu-PF, referindo-se às difíceis relações entre Mugabe e Tsvangirai, que, desde 1999, foi detido várias vezes e acusado de traição, o que é punido com pena de morte no Zimbábue.

O opositor, no entanto, não nunca condenado.

Em março de 2007, o líder do MDC foi brutalmente agredido e ficou gravemente ferido na cabeça quando a Polícia reprimiu duramente uma manifestação religiosa que tinha sido proibida por ordens expressas de Mugabe. EFE rt/db

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