Governo de Obama ganha 120 dias para estudar caso de detidos em Guantánamo

Washington, 21 jan (EFE).- Dois juízes militares suspenderam hoje por 120 dias os julgamentos de seis detentos na base de Guantánamo em resposta ao pedido do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de estabelecer um prazo para estudar os casos dos supostos terroristas presos no local.

EFE |

Menos de 24 horas depois da posse de Obama e da solicitação transmitida pelo chefe do Pentágono, Robert Gates, o coronel de Exército Patrick Parrish suspendeu, sem audiência, o processo contra o cidadão canadense Omar Khadr.

Khadr, um dos centenas de homens que estão há anos detidos em Guantánamo, Cuba, sem julgamento, é acusado da morte de um soldado americano no Afeganistão, em 2002. Quando foi capturado, tinha 15 anos.

Já o coronel de Exército Stephen Henley suspendeu por quatro meses os processos contra cinco homens acusados de ligação com os atentados terroristas nos Estados Unidos de 11 de setembro de 2001, informou à Agência Efe uma representante da organização Human Rights Watch (HRW), Joanne Mariner, presente na audiência em Guantánamo.

No julgamento presidido por Henley, quatro dos cinco acusados (Khalid Sheikh Mohammed, Ali Abdulaziz Ali, Walid bin 'Attash e Mustafa Ahmed al-Hawsawi) afirmaram que se opõem à suspensão dos processos.

Por sua vez, Ramzi Binalshibh explicou que aceita a suspensão. Os cinco homens podem ser condenados à morte.

A detenção prolongada e sem julgamento de supostos terroristas, isolados na base naval localizada no oeste de Cuba e submetidos, em alguns casos, a torturas, foi, durante anos, objeto de críticas dos aliados de Washington e de denúncias dos grupos de defesa dos direitos humanos.

"O presidente Obama entendeu claramente que em nada beneficia o início de sua Presidência com o espetáculo de processos injustos e caóticos nos tribunais militares" de Guantánamo, disse Joanne.

"A pausa de 120 dias dá ao novo Governo um período razoável para que se rejeitem os casos que não têm mérito e se transfira o resto aos tribunais federais", acrescentou.

Em sua campanha eleitoral, Obama prometeu fechar o centro de detenção de Guantánamo.

Agora, seu Governo busca os mecanismos legais para arquivar os casos nos quais não há acusações de crédito e o processamento dos outros em uma jurisdição que ainda deve ser determinada.

Fontes próximas ao Governo que tomou posse na terça-feira disseram hoje que o presidente Obama já redigiu uma ordem para o fechamento definitivo do centro de detenção, apesar de não existir ainda um anúncio oficial.

No final de 2002, o ex-presidente George W. Bush criou tribunais militares que deviam julgar os qualificados de "combatentes inimigos ilegais", supostamente não amparados pelas convenções de guerra de Genebra nem pelas leis federais dos Estados Unidos.

O pedido enviado na noite de terça-feira por Gates aos juízes militares em Guantánamo procura "permitir que o novo presidente e seu Governo tenham tempo para uma revisão do processo geral dos tribunais militares, e, especificamente, dos casos agora pendentes perante esses tribunais".

"A confusão e a incerteza que vimos repetidas vezes em Guantánamo reflete a natureza 'ad hoc' destes processos militares", afirmou Joanne.

"Seria um erro terrível que se processe um caso tão importante quanto os (atentados) de 11 de setembro (de 2001) em um sistema tão rudimentar", acrescentou a representante da HRW. EFE jab/db

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