La Paz, 21 mai (EFE).- O Governo do presidente Evo Morales se mostrou hoje confiante de que o diálogo no Congresso irá resolver a crise da Bolívia, embora a principal força opositora, o partido Poder Democrático e Social (Podemos), ter dito que não vê no Executivo uma vontade de solucionar o conflito.

A administração de Morales pediu hoje às forças parlamentares uma nova tentativa de diálogo para resolver o conflito político do país, derivado da rejeição à reforma constitucional, promovida pelo Governo, e dos processos autônomos empreendidos por várias regiões à revelia das autoridades estatais.

Além disso, os bolivianos foram convocados, para o dia 10 de agosto, a um referendo para decidir sobre a continuidade tanto do presidente Morales, como do vice-presidente e dos governadores departamentais.

Apesar da consulta, o Governo insistiu em abrir uma mesa de diálogo, em um novo chamado que gera desconfiança na oposição, sobretudo no Podemos, que impôs condições para a negociação, entre elas, uma nova Constituição política que seja formada a partir de um pacto político.

O vice-presidente do país e presidente do Congresso, Álvaro García Linera, declarou hoje que aceita, como responsável do Legislativo, as condições do Podemos para abrir uma mesa de negociações.

García Linera recolheu a proposta do Podemos de "trabalhar uma verdadeira Constituição Política do Estado como reflexo de um grande acordo político" e propôs analisar os mecanismos para conseguir esse propósito.

Também aceitou discutir a condição de incluir nas negociações o poder Executivo, os governadores regionais do país e outros "atores políticos e sociais" para contribuir para a construção dos consensos.

Assegurou que, como reivindica o Podemos, não há "nenhum problema" que a Igreja Católica ou "países amigos" atuem como "fiadores" do diálogo.

García Linera ratificou que o Congresso tem a possibilidade de unir o projeto de nova Constituição com os processos autonomistas de várias regiões do país, os quais, segundo sua opinião, "é o núcleo" dos conflitos políticos vividos pela Bolívia.

Até antes da declaração de García Linera, o Podemos descartou sua presença na reunião convocada para as 16h local, (17h de Brasília), ao contrário das forças minoritárias União Nacional (UN) e Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) que estarão na reunião.

O chefe dos senadores do Podemos, Roger Pinto, ratificou hoje que sua formação não iria à reunião, porque não acredita na vontade do Governo de encontrar soluções para o conflito.

Além dos temas da nova Constituição e das autonomias, o Podemos pediu ao Governo para incluir no diálogo assuntos econômicos e repor às regiões a receita pelas rendas petrolíferas. EFE ja/fb

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