Governo de Micheletti reitera disposição de resolver crise em Honduras

Nancy De Lemos. San José, 19 jul (EFE).- A enfática rejeição do Governo liderado por Roberto Micheletti ao retorno ao poder do presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya fez com que fracassassem as negociações mediadas pelo governante costarriquenho, Óscar Arias, para achar uma solução à crise política hondurenha.

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Porém, pouco depois do resultado negativo, o novo Governo de Honduras assegurou que seguirá no diálogo sob a mediação de Arias.

"As portas do diálogo seguem abertas (...), na quarta-feira temos que retornar a San José", disse Vilma Morales, membro da comissão do Governo de Micheletti que participou da reunião com Arias e com representantes de Zelaya.

A restituição de Zelaya era o ponto central da proposta apresentada por Arias no sábado, quando teve início a segunda rodada de conversas, e essa foi precisamente a questão sobre o qual as duas delegações não conseguiram alcançar um acordo.

O grupo que representou o Governo de Micheletti trouxe hoje à mesa de diálogo uma contraproposta, na qual aceitava o retorno de Zelaya a Honduras, mas para que enfrentasse a Justiça e pudesse se defender das acusações contra si, como traição à pátria.

Na qualidade de mediador, Arias se manteve firme em que o requisito fundamental para restabelecer a ordem constitucional no país é a reinstalação de Zelaya como presidente, mas liderando um Governo de coalizão que contivesse figuras aliadas a Micheletti em postos-chave.

A última sessão foi suspensa menos de quatro horas após começar, devido à impossibilidade de aproximar as posições.

Arias disse que não abre mão de seguir seus trabalhos como mediador e se deu um prazo de 72 horas para tentar, na Costa Rica, convencer Micheletti a aceitar suas propostas, pois teme que exploda uma guerra civil em Honduras.

O ambiente não parece tão promissor. Carlos López, atual ministro das Relações Exteriores hondurenho e líder da comissão do presidente interino, ressaltou que as propostas do mediador são "inaceitáveis".

"Sinto muito, mas as propostas nas quais o senhor insistiu são inaceitáveis para o Governo constitucional de Honduras que eu represento", disse López, ao enfatizar o desacordo com a proposta que se refere especificamente ao retorno ao poder de Zelaya, deposto em 28 de junho em um golpe de Estado.

Segundo o novo chanceler, "a mediação não soube compreender que a pretensão de impor Zelaya como presidente, contra o direito interno (...), constitui uma intromissão aberta nos assuntos internos de Honduras e uma lamentável descaracterização da mediação".

Arias disse temer que, se não for alcançada uma saída na mesa do diálogo, comece uma guerra civil e "um derramamento de sangue que o povo hondurenho não merece".

"Qual é a alternativa ao diálogo, o que acontece se amanhã disparar uma arma?", questionou o presidente, prêmio Nobel da Paz em 1987.

A ex-ministra de Energia e líder da delegação de Zelaya, Rixi Moncada, lamentou a "intransigência do Governo de fato", que se nega a aceitar os apelos da comunidade internacional para que o líder deposto volte à Presidência de Honduras.

Moncada ressaltou que sua delegação aceitou "de boa fé" o processo de diálogo e que, apesar da rejeição da comitiva de Micheletti, mantinha sua "disponibilidade frente às ações que o mediador dispunha agora".

Arias reiterou que o grupo de Zelaya tinha aceitado "integralmente" a proposta de sete pontos que apresentou.

As outras propostas feitas por Arias incluiam uma anistia para crimes políticos, a antecipação das eleições de novembro para o último domingo de outubro, a transferência do comando das Forças Armadas ao Supremo Tribunal Eleitoral e a constituição de uma comissão para verificar o cumprimento dos acordos.

Rafael Alegria, dirigente da Frente Nacional contra o Golpe e membro da delegação de Zelaya, assegurou que o líder deposto voltará a Honduras em um prazo que só ele conhece, mas disse que os atos no país contra o Governo de fato seguirão esta semana.

Ele também afirmou que esperarão que Arias relate de possíveis avanços nas gestões com Micheletti para definir as próximas ações.

EFE nda/db

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