Governo de Micheletti busca data para receber missão da OEA em Honduras

Tegucigalpa, 10 ago (EFE).- O novo Governo de Honduras busca uma data para receber uma missão de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA), após concordar que o secretário-geral do organismo, José Miguel Insulza, participe como observador.

EFE |

A data de chegada da delegação de chanceleres de países da OEA a Tegucigalpa não foi marcada, mas pode ser divulgada entre hoje e amanhã, disse, em entrevista coletiva, o chanceler hondurenho, Carlos López, que considera que a situação em seu país "tende a se normalizar".

Segundo López, a "crise" foi no dia 28 de junho, quando o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, foi detido pelos militares, enviado em um avião à Costa Rica e substituído no mesmo dia por Roberto Micheletti, por decisão do Parlamento.

A missão da OEA, que deveria chegar amanhã à capital hondurenha, será composta pelos chanceleres ou similares da Argentina, Canadá, Costa Rica, Jamaica, México e República Dominicana.

A chegada da missão foi adiada, porque o Governo de Micheletti rejeitou a presença de Insulza no domingo, a quem acusa de não ser neutro sobre conflito atravessado por Honduras, depois do golpe de Estado que derrubou Zelaya.

No entanto, ontem mesmo, o Governo de Micheletti retificou e anunciou que "as diferenças tinha sido conciliadas" e que isso permitia que Insulza participasse "como observador" da comissão.

López enfatizou, na entrevista coletiva, que Insulza "não é a pessoa importante nesta missão, mas os chanceleres".

Insulza, por sua parte, disse hoje em Washington que a delegação de alto nível da OEA viajará para Honduras com o propósito de dialogar sobre o Acordo de San José, mas não impôs uma postura.

Por outro lado, o dirigente camponês Rafael Alegría, integrante de um movimento de resistência popular que exige o retorno de Zelaya ao poder, disse à Agência Efe que "o regime golpista de Micheletti não tem autoridade moral para decidir quem integra ou não a missão da OEA".

"O que Micheletti quer é que a missão da OEA não veja a mobilização popular com milhares de hondurenhos que teremos amanhã em San Pedro Sula e Tegucigalpa", acrescentou Alegría.

O ex-presidente Rafael Ruelas comentou a jornalistas que há "distintas opiniões" sobre Insulza, mas que "o importante é que as comissões que vierem, mantenham a objetividade sobre a análise do país".

Ruelas, do opositor Partido Nacional de Honduras, ressaltou que o diálogo interno deve ser mantido, enquanto "o de fora deve ser buscado pelo Acordo de San José", mediado pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias.

Sobre a restituição de Zelaya no poder, disse que "é um tema muito mais complexo" e que "antes de qualquer análise sobre o assunto, é preciso ver a realidade nacional", porque "o ambiente aqui é muito tenso".

"É um ambiente muito polarizado, é uma situação que não conhecíamos antes, de profunda falta de respeito a certas condições, meios e pessoas no país. O importante é que se constitua em breve este caminho de reconciliação nacional", disse Ruelas.

O chanceler López disse que o processo para buscar uma solução à crise deve ser trabalhado "no marco da mediação por acordo das partes e por acordo da OEA, que passou o tema à liderança do presidente Arias".

Além disso, segundo o diplomata hondurenho, a maioria das chancelarias da América expressou "apoio à mediação de Arias e que estão esperando o desenvolvimento deste processo".

Enquanto se define a data da chegada da missão da OEA, o movimento de resistência que exige a restituição de Zelaya marcou para amanhã duas "grandes mobilizações" em Tegucigalpa e San Pedro Sula, reiterou Alegría.

O dirigente camponês disse à Efe que as duas "manifestações pacíficas marcarão a saída dos golpistas do poder e o retorno de Zelaya". EFE gr/pd

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