(atualiza número de vítimas e acrescenta dados) Ángel Escamis Yangun (Mianmar), 5 mai (EFE).- As autoridades de Mianmar, que hoje elevaram para 3.

969 o número de mortos pela passagem do ciclone tropical "Nargis" pelo sul do país, temem que a cifra possa chegar a 10 mil, enquanto as Nações Unidas calculam em centenas de milhares os desabrigados.

"A informação confirmada é a de 3.969 mortos, 41 feridos e 2.879 pessoas desaparecidas", informou a emissora de televisão "MRTV".

O estado de emergência foi declarado no último sábado, mesmo dia no qual o ciclone descarregava toda sua potência sobre o sul de Mianmar, nas regiões de Yangun, Irrawady e Pegu e nos estados de Karen e Mon.

Helicópteros do Governo sobrevoam desde domingo a região, cuja população está há dois dias sem água e luz e enfrenta problemas de abastecimento de produtos básicos.

O ministro de Assuntos Exteriores birmanês, Nyan Win, afirmou hoje à comunidade diplomática e a representantes da ONU que o número de vítimas mortais pelo ciclone tropical "Nargis" pode chegar a dez mil pessoas.

A ONU, os Estados Unidos, a União Européia (UE) e outros países se ofereceram para ajudar as vítimas birmanesas.

"Milhares de pessoas precisam de alojamento e água potável para beber", declarou Richard Horsey, do Escritório Coordenador de Assuntos Humanitários da ONU em Bangcoc, que não pôde precisar o número de pessoas afetadas.

Yangun, antiga capital e maior cidade de Mianmar, continua hoje imersa no caos causado pelo ciclone "Nargis", enquanto a população da região tenta com seus próprios meios empreender tarefas de remoção de escombros e reparação de danos, ajudando o Exército e as instituições estatais birmanesas.

Pelas calçadas há um constante tráfego de pessoas que vão de um lugar a outro com baldes em busca de água.

Crianças com sacolas reviram os escombros dos prédios derrubados.

"Ninguém está nos ajudando, absolutamente ninguém", se queixou um birmanês chamado Thaing, enquanto tentava cortar com uma serra um enorme tronco de árvore que impede o acesso a sua loja.

Não muito longe, um grupo de soldados vestidos com seus uniformes de cor verde oliva retiravam escombros do quartel, enquanto outros, aparentemente oficiais, se protegiam do sol forte sentados debaixo de caminhões militares.

Yangun parece ter acabado de passar por uma batalha. Milhares de árvores derrubadas pelos fortes ventos que chegaram a uma velocidade de 190 km/h atrapalham o tráfego nas ruas, repletas de pedaços de telhados que voaram da casa.

"Esta madeira é boa para lenha", explicava um jovem que, com ajuda de outros dois, cortava em pedaços algumas das árvores que margeiam o longo trajeto do aeroporto até o centro da antiga capital, onde alguns comércios abriram suas portas hoje.

As filas de automóveis que aguardavam para reabastecer nas estações de serviços eram intermináveis e contribuíam ainda mais para um enorme engarrafamento na cidade.

O aeroporto internacional de Yangun, fechado desde sábado passado por causa de danos em seu sistema de sinalização, foi reaberto hoje ao tráfego aéreo, o que permitiu a chegada do primeiro avião vindo de Bangcoc, a capital da Tailândia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e outras agências da ONU se reuniram hoje em Bangcoc para examinar a situação e coordenar um plano de ação que incluirá a reabertura das estradas bloqueadas, para facilitar o acesso às áreas necessitadas.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) criou um fundo de emergência de 200 mil francos suíços (US$ 190.393) para os desabrigados.

Os voluntários do CICV em Mianmar já distribuem ajuda básica para os desabrigados, como lonas para cobrir os telhados arrancados pelo ciclone e pequenas pastilhas para purificar a água, além de cobertores e roupa.

Os cortes nas linhas telefônicas e a ausência de internet, que só deve voltar a funcionar em três dias, também dificultam os trabalhos.

Apesar dos grandes danos, a Junta Militar declarou hoje que mantém seus planos de realizar, no próximo sábado, o plebiscito sobre a minuta constitucional no qual trabalhou desde 1993, sem consultar a oposição democrática. EFE mfr/wr/gs

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