Yangun (Mianmar), 9 mai (EFE).- A Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) distribuiu hoje em Yangun pequenas bolsas de plástico com dez ovos cada para seus funcionários, na véspera do plebiscito deste sábado, na qual tentará aprovar seu projeto constitucional.

Os "presentes" eram repartidos de dois caminhões militares estacionados na Prefeitura de Yangun aos funcionários, que os recebiam com cara de grande satisfação, devido à falta de alimentos básicos na região por causa dos estragos do ciclone tropical "Nargis", motivo pelo qual a bolsinha representa uma pequena fortuna.

Atualmente, um ovo vale cerca de 200 quiates (um dólar vale oito quiates no câmbio oficial, e 1.100 quiates no mercado negro) nos estabelecimentos comerciais de Yangun, a antiga capital birmanesa e a maior metrópole do país.

A Junta Militar birmanesa realiza amanhã, salvo em partes das divisões de Irrawaddy e Yangun, as mais afetadas pela passagem do "Nargis", um plebiscito para aprovar a minuta constitucional que começou a redigir em 1993, e que concluiu no ano passado, sem a participação da oposição democrática.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ontem às autoridades birmanesas para que adiem o plebiscito até uma data mais apropriada, por causa da grave situação humanitária no sul do país, causada pela passagem do ciclone, que pode ter causado até 100 mil mortes, segundo cálculos dos Estados Unidos.

Caso o "sim" vença no plebiscito de amanhã, o regime militar prometeu organizar eleições legislativas em 2010, as primeiras no país em quase duas décadas.

Em 1990, o partido oficial foi derrotado nas urnas para a Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, resultado que nunca foi reconhecido pela Junta.

A oposição democrática birmanesa rejeitou o projeto constitucional que será submetido a referendo, por entender que legitimará a presença dos generais no Governo do país. EFE mfr/gs

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